Buenos Aires – O presidente argentino Javier Milei sofreu, neste domingo (8), sua primeira grande derrota eleitoral após o escândalo de corrupção que envolve a irmã e secretária-geral da Presidência, Karina Milei. Com 99% das urnas apuradas, o peronismo venceu a eleição legislativa na província de Buenos Aires por 47,3% contra 33,7% da coligação governista A Liberdade Avança, abrindo 13,6 pontos percentuais de diferença.
Impacto imediato na governabilidade
Maior colégio eleitoral do país, a província concentra quase 40% dos votantes argentinos. O pleito definiu 46 cadeiras na Câmara dos Deputados, 23 no Senado e vereadores em 135 municípios. Analistas consideram o resultado irreversível e apontam dificuldade para que Milei forme base no Congresso nas legislativas nacionais de 26 de outubro, etapa crucial para aprovar suas reformas tributária, trabalhista e previdenciária.
Das dez eleições provinciais realizadas em 2025, o presidente venceu apenas duas. A expressiva vitória peronista impulsiona o governador reeleito Axel Kicillof como principal referência da oposição na disputa presidencial de 2027.
Reação oficial
Em discurso após a apuração, Milei admitiu “um claro revés político”, mas assegurou que não mudará a condução da economia: “Não recuaremos nem um milímetro. Vamos acelerar mais no fiscal, no monetário e no cambial”.
Kicillof, por sua vez, afirmou que as urnas “puseram freio” ao governo: “Com 13 pontos de vantagem, a população disse que não é possível suspender obras públicas, maltratar aposentados ou abandonar pessoas com deficiência”.
Escândalo de corrupção e desgaste popular
Em áudios vazados no mês passado, o ex-diretor da Agência Nacional para as Pessoas com Deficiência, Diego Spagnuolo, acusou Karina Milei de orquestrar o desvio de 8% na compra de medicamentos. O caso minou o discurso anticorrupção do presidente e ampliou o desgaste provocado por vetos a reajustes de aposentadorias e benefícios sociais.
Sinais econômicos negativos
A inflação mensal caiu, mas permanece em torno de 2%. Para contê-la, o governo mantém o peso valorizado artificialmente e taxa básica próxima de 80% ao ano, cenário que provoca recessão desde abril. Analistas preveem forte pressão sobre o câmbio e a bolsa nesta segunda-feira, com a necessidade de novas intervenções do Banco Central argentino.
O banco de investimento JP Morgan já alertava que um triunfo peronista robusto exigiria venda de reservas internacionais e alta de juros, medidas que podem agravar as contas públicas. As reservas líquidas do país estão negativas.
Risco político
Sem reforçar sua bancada, Milei pode ficar sem o terço do Congresso necessário para travar eventual processo de impeachment. Pesquisas internas do governo indicavam que uma derrota inferior a cinco pontos seria manejável; a diferença de 13,6 pontos surpreendeu até a oposição.
Próximos passos – O governo trabalha para reavaliar estratégias de campanha antes de 26 de outubro, enquanto tenta manter credibilidade junto a investidores. Especialistas destacam que a responsabilidade de estabilizar a economia e recompor a base parlamentar recai diretamente sobre o presidente.
Dados detalhados sobre o desempenho recente da economia argentina estão disponíveis no portal do Banco Mundial, que monitora indicadores fiscais e sociais do país.
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O revés em Buenos Aires intensifica a pressão sobre Javier Milei às vésperas das legislativas nacionais. Acompanhe nossos próximos boletins e entenda como o resultado pode repercutir na economia regional.
Com informações de g1
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