Aracaju (SE) – Um estudo conduzido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), aponta o micélio de fungos como candidato a ocupar espaço no prato do consumidor, oferecendo textura semelhante à da carne e alto teor de proteína.
Alto valor nutricional e impacto ambiental reduzido
Os pesquisadores destacam que o micélio – estrutura de sustentação dos fungos – apresenta nutrientes comparáveis aos de alimentos de origem animal. Técnicas de edição genética permitem potencializar a produção de proteínas análogas às do leite, ovo e carne, explicou André Damasio, professor da Unicamp envolvido no projeto.
Por exigir menos recursos naturais que a pecuária intensiva, o cultivo de fungos poderia ajudar a conter desmatamento, degradação do solo e uso excessivo de água.
Mercado bilionário em 2032
De acordo com o levantamento, a expectativa é que o mercado mundial de alimentos à base de micélio ultrapasse US$ 32 bilhões até 2032.
Desafios antes de chegar ao consumidor
Apesar do potencial, o produto ainda precisa evoluir em aspectos como sabor e perfil sensorial. “Faltam estudos clínicos sobre a absorção de aminoácidos, saciedade e efeitos de longo prazo”, observou o analista da Embrapa Gabriel Mascarin.
No Brasil, alimentos derivados de micélio são classificados como “novos alimentos” e passam por rigorosos testes de segurança antes da liberação comercial.
Investimentos superam os da carne cultivada
Entre 2019 e 2024, o setor de fungos recebeu R$ 628 milhões em aportes, superando os R$ 459 milhões destinados à carne cultivada em laboratório. A tecnologia é considerada mais simples e, por isso, tem previsão de chegar ao mercado mais rapidamente.
O micélio já é utilizado para criar produtos que imitam carne e em versões híbridas – que combinam proteína animal ou vegetal com o fungo – ampliando a aceitação entre consumidores não veganos. Contudo, sua baixa solubilidade ainda limita aplicações em bebidas, embora haja empresas testando iogurtes à base de micélio.
Para saber mais sobre o papel de novas fontes de proteína na segurança alimentar, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) mantém um centro de conhecimento sobre sistemas alimentares sustentáveis.
Se você se interessa por inovações no campo, visite também a seção Sergipe e acompanhe outras iniciativas que impactam a produção de alimentos na região.
Em resumo, o micélio de fungos surge como alternativa promissora para diversificar a oferta de proteína, podendo reduzir impactos ambientais e abrir novo mercado bilionário nos próximos anos. Continue acompanhando nossas publicações para descobrir como essa e outras tecnologias podem chegar à sua mesa.
Com informações de g1.globo.com
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