São Paulo – O Grupo Ambipar protocolou, na segunda-feira (20), pedido de recuperação judicial para tentar reestruturar dívidas que podem ultrapassar R$ 10 bilhões e evitar a falência. A empresa, que por anos foi apresentada ao mercado como referência em práticas ESG, acumula forte desvalorização na Bolsa e enfrenta desconfiança de investidores.
Da ascensão à Bolsa à crise de caixa
Fundada em 1995 por Tércio Borlenghi Neto, a Ambipar começou como prestadora de serviços ambientais e hoje opera em 41 países, com cerca de 23 mil funcionários. Em 2019, o grupo foi reorganizado em duas frentes: Ambipar Environmental, dedicada à gestão e valorização de resíduos, e Ambipar Response, focada em respostas a acidentes químicos e ambientais.
A abertura de capital ocorreu em julho de 2020, na B3. O IPO teve demanda dez vezes superior à oferta e, em 2021, os papéis acumulavam alta de 50 %. Naquele período, temas ambientais ganhavam força no mercado, impulsionados pela agenda ESG.
Expansão agressiva e endividamento
Entre 2020 e 2022, a Ambipar desembolsou aproximadamente R$ 1,5 bilhão para adquirir 22 empresas, além de outras dez compras já realizadas desde 2011. As operações incluíram a norte-americana Witt O’Briens (US$ 161,5 milhões), a britânica Enviroclear e a brasileira Ecológica Resíduos.
Especialistas apontam que o crescimento acelerado, com margens apertadas e elevado custo em dólar, comprometeu o caixa. “Foram 40 aquisições em menos de cinco anos, em um setor de baixa rentabilidade”, afirma Max Mustrangi, CEO da Excellance.
Conflito com o Deutsche Bank e risco de vencimento cruzado
A situação financeira se deteriorou após uma operação de crédito com o Deutsche Bank. Para evitar execução imediata de dívidas, a companhia obteve, em setembro, tutela cautelar da Justiça do Rio de Janeiro que suspendeu cláusulas de vencimento cruzado. Sem a decisão, obrigações poderiam ser antecipadas, resultando em rombo estimado em R$ 10 bilhões.
Resultados negativos e saída de executivo
No segundo trimestre de 2025, a Ambipar registrou prejuízo de R$ 134,1 milhões, revertendo lucro de R$ 45,5 milhões apurado um ano antes. A saída repentina do diretor financeiro, João Arruda, aumentou a incerteza sobre a governança.
Derrocada na Bolsa e impacto nos COEs
Desde a primeira medida cautelar contra o Deutsche Bank, as ações despencaram 93 %. Em 12 meses, a queda alcança 95,67 %. A B3 retirou os papéis de nove índices e revogou o selo de “ação verde”.
Investidores de Certificados de Operações Estruturadas (COEs) lastreados na companhia perderam quase todo o capital: receberam apenas 6,88 % do valor aplicado, segundo dados do mercado.
Próximos passos
Com o pedido de recuperação judicial, o grupo aguarda decisão da Justiça para apresentar plano de pagamento aos credores. Até lá, continua sob proteção contra execuções enquanto busca reforçar liquidez e renegociar contratos.
Com informações de g1
De acordo com a Lei 11.101/2005, empresas em recuperação judicial têm 60 dias para apresentar plano aos credores.
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O pedido de recuperação marca um capítulo decisivo na trajetória da Ambipar. Continue acompanhando nossas atualizações e fique por dentro dos próximos desdobramentos.
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