Brasília – O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concedeu, na segunda-feira, 20 de outubro, licença para que a Petrobras perfure um poço exploratório em águas profundas do bloco FZA-M-059, localizado na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira.
O que a permissão abrange
A licença libera apenas atividades de pesquisa. A estatal poderá perfurar, coletar amostras e avaliar a existência de petróleo ou gás em escala comercial. Qualquer etapa de produção exigirá novos pedidos de licenciamento ambiental.
Como será a operação
Segundo a Petrobras, a perfuração vai começar imediatamente e deve durar cerca de cinco meses. O local fica a 175 km da costa do Amapá e a 500 km da foz do rio Amazonas, em área de águas profundas.
Dimensão da Bacia
A Bacia da Foz do Amazonas ocupa aproximadamente 268 mil km², abrangendo plataforma continental, talude e áreas de grande profundidade até o limite entre as crostas continental e oceânica.
Potencial estratégico
O Ministério de Minas e Energia considera a Margem Equatorial uma nova fronteira de exploração, comparável ao pré-sal, pela semelhança geológica com as reservas da Guiana e do Suriname. Estimativas do governo apontam capacidade para produzir 1,1 milhão de barris por dia, com possibilidade de retirar até 10 bilhões de barris de petróleo da região. Um estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) calcula volume recuperável de 6,2 bilhões de barris de óleo equivalente apenas na Foz do Amazonas.
Investimentos e arrecadação
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, projeta mais de R$ 300 bilhões em investimentos e até R$ 1 trilhão em arrecadação nas próximas décadas em toda a Margem Equatorial. Simulações indicam que uma produção de 100 mil barris diários na costa do Amapá poderia acrescentar R$ 10,7 bilhões ao PIB estadual e gerar 53,9 mil empregos.
Navio-sonda e custos
A perfuração será feita pela sonda NS-42, contratada por R$ 4 milhões diários. A embarcação mede 238 m, possui torre de 64 m e alcança profundidades de até 12,1 mil m, tecnologia semelhante à utilizada no pré-sal.
Mercado e ações da Petrobras
Após o anúncio, as ações ordinárias da companhia (PETR3) caíram 0,54% na segunda (20) e 1,05% na terça (21). Analistas atribuem a reação morna à expectativa já precificada e à queda do preço internacional do barril, negociado a US$ 61,63 no dia 21.
Pronunciamentos oficiais
O Ibama informou que a autorização foi concedida após ajustes no projeto da Petrobras. A estatal afirma ter comprovado a robustez de sua estrutura de proteção ambiental e destaca a importância de novas fronteiras para a segurança energética e a transição energética justa.
Críticas de ambientalistas
Entidades como o Observatório do Clima classificaram a licença como um revés para as políticas ambientais brasileiras, às vésperas da COP30. Cientistas alertam para o risco de ampliar emissões fósseis na região amazônica.
Processo de licenciamento
O bloco foi arrematado em 2013. O licenciamento ambiental começou em abril de 2014, então sob responsabilidade da BP Energy. Em 2020, os direitos passaram à Petrobras. Em agosto de 2025, a estatal realizou simulado de emergência supervisionado pelo Ibama, etapa final antes da emissão da licença.
Próximos passos
Confirmada a presença de petróleo em volume comercial, a Petrobras terá de declarar a comercialidade do campo, apresentar projeto de desenvolvimento e solicitar novas licenças para instalação de equipamentos e início da produção.
Mais detalhes sobre parâmetros técnicos de perfuração podem ser consultados na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), órgão que regula o setor no país.
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Este foi um resumo das principais informações sobre a perfuração exploratória na Foz do Amazonas. Acompanhe nossas atualizações para saber os próximos desdobramentos.
Com informações de g1
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