Jacarta (Indonésia) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (24) que se reunirá com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no próximo domingo (26), em Kuala Lumpur, capital da Malásia. A agenda deve ocorrer à margem da Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), segundo e último compromisso da viagem de uma semana que o chefe do Executivo brasileiro faz pela Ásia.
Pauta aberta, mas foco nas tarifas
Lula declarou que não há tema proibido para o diálogo, mas adiantou que pretende concentrar a conversa em três pontos: o tarifaço de 50% aplicado por Washington a produtos como carne e café brasileiros, a possibilidade de punições impostas aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a proposta de ampliar o comércio bilateral.
“Quero mostrar, com números, que as taxações foram um equívoco”, disse o presidente, ao explicar que os próprios Estados Unidos sentem reflexos do aumento de preços provocado pelas tarifas.
Alternativa ao dólar
A discussão sobre o uso de moedas locais em transações comerciais no âmbito do Brics também deve aparecer na mesa. De acordo com Lula, Trump tenta persuadir o Brasil a abandonar a ideia de substituir o dólar em operações entre os países do bloco.
Clima de reaproximação
O encontro será o primeiro compromisso oficial entre os dois mandatários desde o início da crise tarifária. A relação começou a ser descongelada em setembro, quando Lula e Trump trocaram cumprimentos rápidos na Assembleia Geral da ONU, seguidos por uma ligação telefônica de cerca de 30 minutos. Em 17 de outubro, o chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, também sinalizaram retomada do diálogo.
Críticas ao protecionismo
Em agenda ainda na Indonésia, Lula voltou a classificar medidas protecionistas como “retrocesso” e defendeu que países busquem caminhos para aumentar o comércio sem barreiras. Ele reiterou o interesse do Brasil em se tornar membro pleno da ASEAN, bloco formado por dez nações do Sudeste Asiático.
Narcotráfico e Venezuela
O brasileiro afirmou que, se houver interesse de Trump, está disposto a discutir narcotráfico e os recentes ataques norte-americanos à Venezuela. “Não podemos transformar o mundo em terra sem lei”, comentou, em referência a declarações de Trump sobre ações militares contra o tráfico em território venezuelano.
Apesar da expectativa de avanços, Lula ponderou que a negociação sobre tarifas levará tempo e será conduzida por sua equipe econômica: o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro da Fazenda Fernando Haddad e o chanceler Mauro Vieira.
Segundo o Itamaraty, outros dez países participarão de reuniões paralelas em Kuala Lumpur, interessados em estreitar laços tanto com Brasil quanto com Estados Unidos.
Para saber mais sobre a atuação e os objetivos da ASEAN, consulte a página oficial da organização em asean.org.
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Resumo: Lula parte ainda hoje para a Malásia com expectativa de um primeiro encontro formal com Trump. A reunião deve abordar tarifas, comércio e questões de política externa. Fique ligado em nossos próximos conteúdos e compartilhe esta notícia.
Com informações de G1




