LONDRES — Em meio a novos alertas sobre o crédito privado e o preço do petróleo, vozes do mercado voltam a 15/09/2008, dia em que o Lehman Brothers pediu falência e desencadeou a maior crise financeira desde a Segunda Guerra.
- Em resumo: executivos e reguladores veem alavancagem crescente e choques de energia como riscos semelhantes aos de 2008.
Primeiros sinais ecoam 2008
Ao comentar a expansão de US$ 2,5 tri do crédito privado, a vice-governadora do Banco da Inglaterra, Sarah Breeden, listou “alavancagem, opacidade e interconexões”, lembrando fatores que colapsaram o sistema há 16 anos. Segundo ela, “há alavancagem sobre alavancagem sobre alavancagem”.
Para o consultor da Allianz, Mohammed El-Erian, o mercado ignora “fragilidades claras” e a possibilidade de filas virtuais para resgates, como ocorreu em 2007 no Northern Rock.
“Há ecos da crise financeira global no que estamos vendo agora”, afirmou Sarah Breeden, vice-governadora do Banco da Inglaterra.
“Há certas semelhanças com 2007 que me tiram o sono”, disse Mohammed El-Erian, principal consultor econômico da Allianz.
Debate entre gigantes do mercado
Enquanto El-Erian vê risco de “incêndio financeiro”, Larry Fink, chefe da BlackRock, garante que “não há chance de repetição” do trauma de 2007-08, apesar de sua própria gestora ter limitado saques em fundos de crédito privado.
“Não vejo nenhuma semelhança. Nenhuma”, declarou Larry Fink, CEO da BlackRock.
Para ilustrar a força de um choque, a Agência Internacional de Energia classificou o fechamento do Estreito de Ormuz como “a maior crise de segurança energética da história”, lembrando que o Brent chegou a US$ 147 em julho de 2008.
A lembrança de quem viveu o colapso
Ex-operador do Lehman em Canary Wharf, Bobby Seagull chegou cedo ao escritório naquela segunda-feira e saiu carregando sua carreira numa caixa de papelão.
“Gastei todo o meu cartão da máquina de venda automática em chocolates, porque percebi que, se o banco quebrasse, meu cartão se tornaria inútil”, contou Bobby Seagull, hoje professor de matemática.
O Banco Central alerta que cenários de estresse simultâneo — energia, crédito e alta concentração em ações de IA — podem testar o fôlego dos governos, agora mais endividados do que em 2008.
Acompanhe mais sobre economia na editoria de Economia.
Crédito da imagem: Reprodução / Getty Images via BBC




