O yuan consolidou avanços importantes na última década, mas continua distante de superar o dólar como principal moeda internacional. Atualmente, 30% dos US$ 6,2 trilhões em exportações e importações chinesas são liquidados na divisa do país, segundo o vice-governador do Banco Popular da China (BPC), Zhu Hexin.
Estratégia surgiu após a crise de 2008
A iniciativa de reduzir a dependência do dólar ganhou corpo em julho de 2009, quando Pequim lançou um projeto-piloto que permitia, pela primeira vez, usar o yuan em operações de comércio exterior. O movimento foi resposta ao aumento da oferta de dólares pelo Federal Reserve durante a crise financeira global, que à época ameaçava os US$ 1,9 trilhão em reservas internacionais da China.
Participação crescente em transações e reservas
Incluindo compras de títulos e investimentos diretos, o yuan alcançou 53% de todas as transações internacionais envolvendo a China em 2023, superando a participação do dólar nesse fluxo específico. Também houve avanço no financiamento do comércio mundial: em 2024, a moeda chinesa ultrapassou brevemente o euro e ficou com 5,8% desse mercado, enquanto o dólar manteve 82%, informa a rede global Swift. Nas reservas cambiais globais, a parcela do yuan atingiu 2,4% no segundo trimestre, um recorde segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Foco em comércio e crédito externo
Pequim prioriza o uso do yuan em transações ligadas à economia real. Para isso, aproveita acordos de energia e commodities — ampliados após o início da guerra na Ucrânia — e oferece financiamento em sua própria moeda a países do Sul Global. Em cinco anos, exposições externas de bancos chineses em yuan quadruplicaram para US$ 480 bilhões. Países como Quênia, Angola e Etiópia converteram dívidas em dólar para a divisa chinesa, enquanto Indonésia, Eslovênia e Cazaquistão passaram a emitir títulos denominados em yuan.
Arquitetura financeira paralela
A China criou o Sistema de Pagamentos Interbancários Transfronteiriços (CIPS) como alternativa ao Swift e abriu centros de compensação em cidades como Singapura, Londres e Frankfurt. O Banco Popular da China também testa o yuan digital, disponível em mais de 20 países, para tornar pagamentos internacionais mais rápidos e menos dependentes de bancos ocidentais. Além disso, mais de 50 acordos de swap cambial permitem a troca direta de moedas locais por yuan, beneficiando parceiros como Rússia, Irã, Argentina e Turquia.
Controle cambial limita expansão
Apesar dos avanços, o yuan continua sujeito a rígida administração estatal e não é totalmente conversível. Pequim teme que a liberalização completa exponha a moeda a volatilidade externa e reduza o controle do Partido Comunista Chinês sobre o crédito doméstico. Sem convertibilidade plena, analistas avaliam que a divisa dificilmente assumirá papel dominante em investimentos e reservas globais.
Desafios internos da economia chinesa
O consumo doméstico enfraquecido e o excesso de capacidade industrial deixam a China mais dependente de exportações. Caso Pequim exija que parcela maior do comércio seja realizada em yuan, a adesão dependerá da disposição dos parceiros e de maior confiança nas instituições chinesas.
Com esses obstáculos, o yuan avança, mas ainda encontra barreiras para rivalizar com o dólar no sistema financeiro internacional.
Com informações de g1
Dados recentes publicados pelo Fundo Monetário Internacional reforçam a projeção de crescimento modesto do yuan nas reservas mundiais, mas confirmam a liderança contínua do dólar.
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O yuan avança passo a passo no comércio e no crédito global, mas o dólar mantém folga confortável na liderança. Continue conosco para receber atualizações e entender como essas mudanças podem impactar o mercado mundial.




