Uma comissão especial da Câmara dos Deputados da Argentina concluiu, na terça-feira (18), que a divulgação da criptomoeda $LIBRA feita pelo presidente Javier Milei pode caracterizar fraude. O relatório final, aprovado por legisladores oposicionistas que comandam o colegiado, atribui “responsabilidade política” ao chefe do Executivo e à irmã dele, Karina Milei, secretária-geral da Presidência.
O documento foi encaminhado ao plenário do Congresso, que deverá decidir se abre processo por “má conduta no exercício das funções” contra o presidente. As conclusões também foram remetidas ao Poder Judiciário, que já reúne dezenas de denúncias criminais ligadas ao caso.
Publicação em rede social desencadeou prejuízos
Em 14 de fevereiro, Javier Milei publicou no X (antigo Twitter) um link para a compra da recém-lançada $LIBRA, apresentada como instrumento para financiar pequenos negócios no país. Minutos depois, o ativo passou de US$ 0,25 para US$ 5,54, movimento que multiplicou o valor de mercado para cerca de US$ 4,5 bilhões. Poucas horas depois, vendas em grande escala derrubaram a cotação para US$ 0,96, gerando prejuízo milionário a investidores argentinos e estrangeiros.
Especialistas em blockchain ouvidos pela comissão parlamentar afirmam que o padrão de compras iniciais, algumas superiores a US$ 3,5 milhões, aponta para possível operação automatizada, o que reforça a suspeita de rug pull — golpe em que os criadores inflacionam o preço de uma moeda digital e, em seguida, liquidam suas posições.
Defesa do presidente
Após a repercussão negativa, Milei apagou a postagem original e declarou que não tinha conhecimento detalhado do projeto. “Sou um otimista tecnológico e quero que a Argentina se torne um polo de tecnologia”, justificou, acrescentando que não se sente responsável pelas perdas de investidores.
O governo nega ligação com a criação da criptomoeda, mas acionou o Gabinete Anticorrupção e formou uma força-tarefa, liderada por Karina Milei, para acompanhar o caso.
Próximos passos
Com a posse de novos parlamentares em 10 de dezembro, analistas admitem que o tema pode perder força no Congresso, onde Milei contará com base mais favorável. O presidente e a irmã não compareceram às convocações da comissão e, por enquanto, não há data para eventual depoimento.
Denúncias também foram apresentadas nos Estados Unidos, onde o FBI avalia o material encaminhado por advogados que representam investidores lesados.
Com informações de g1
Segundo alertas do Banco Central da República Argentina, investimentos em criptoativos oferecem riscos elevados de perda total do capital, especialmente em projetos sem supervisão regulatória.
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