A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) aprovou neste domingo (7) um novo incremento de produção de 137 mil barris diários a partir de outubro. A decisão, tomada em reunião virtual, busca recuperar participação de mercado, sobretudo da Arábia Saudita, mas representa uma desaceleração em relação aos aumentos anteriores.
Nos dois meses anteriores, o grupo vinha adicionando cerca de 555 mil barris por dia, e, em julho e junho, 411 mil barris. A mudança indica o início da reversão da segunda rodada de cortes — estimada em 1,65 milhão de barris diários entre oito membros — mais de um ano antes do planejado.
Desde abril, a Opep+ já tinha desfeito completamente uma primeira rodada de restrições, equivalente a 2,5 milhões de barris por dia, ou cerca de 2,4% da demanda global. “Os barris podem ser poucos, mas a mensagem é grande”, avaliou Jorge Leon, analista da Rystad e ex-funcionário da Opep, ao destacar que o cartel prioriza participação de mercado mesmo diante do risco de preços menores.
Contexto global
O anúncio surge em meio à expectativa de menor consumo no hemisfério norte durante o inverno. A entidade afirmou que pode acelerar, suspender ou até reverter os ajustes em próximos encontros. O próximo está marcado para 5 de outubro.
Movimentos internos também pesaram na decisão: a Arábia Saudita tenta penalizar países que excederam cotas, como o Cazaquistão, enquanto os Emirados Árabes Unidos ampliaram sua capacidade e buscam metas mais ambiciosas.
Impacto de políticas externas
No início do ano, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressionou a Opep+ a aumentar a oferta para conter o preço da gasolina no país. Mais recentemente, o governo norte-americano impôs tarifa de 50% sobre o petróleo comprado pela Índia da Rússia, medida que pressiona ainda mais o mercado.
Mesmo com o aumento de oferta, o barril de petróleo permanece em torno de US$ 65, sustentado por sanções ocidentais contra Rússia e Irã, o que mantém pressionadas as margens das petrolíferas e contribui para cortes de postos de trabalho no setor.
Representantes do cartel ressaltaram que continuarão monitorando a evolução da demanda e poderão ajustar a produção conforme necessário para equilibrar o mercado.
Com informações de g1
Em relatório recente, a Agência Internacional de Energia (IEA) destacou que a volatilidade no mercado continuará elevada enquanto persistirem incertezas geopolíticas.
Para acompanhar outras informações sobre o cenário internacional, acesse a nossa editoria de Internacional.
Resumo: a Opep+ prossegue com aumentos graduais de produção para reforçar sua presença no mercado, mas mantém a porta aberta para mudanças. Fique por dentro das próximas decisões e compartilhe a notícia.
Siga o SE Por Dentro e entre no nosso grupo de notícias.








