Produtores rurais de Montividiu, no sudoeste de Goiás, adotam a agricultura regenerativa para diminuir a emissão de gases de efeito estufa na lavoura. Técnicas como rotação de culturas, adubo orgânico, plantio direto e uso de drones elétricos já mostram resultados expressivos na região.
Resultados no campo
Na fazenda da família Van Den Broek, a análise detalhada do solo permitiu a troca de fertilizantes sintéticos por insumos complexados e orgânicos. Segundo o agricultor Eric Van Den Broek, a mudança reduziu em 76% as emissões de gases de efeito estufa em comparação ao modelo convencional.
A propriedade também produz adubo orgânico em larga escala. A mistura de esterco bovino, bagaço de cana e cama de frango fermenta por 45 dias, atingindo temperaturas próximas de 70 °C, sinal de intensa atividade de fungos e bactérias. O sistema opera em ciclo: o esterco segue para a compostagem, que nutre a lavoura; a lavoura alimenta o gado, que devolve o esterco ao processo.
Práticas que sustentam o solo
A tradição de cuidado começou nos anos 1980, quando Mário Van Den Broek introduziu o plantio direto, mantendo palha sobre o solo para evitar revolvimento e perda de carbono. A professora Darliane Castro, do Instituto Federal Goiano, afirma que o método conserva o carbono armazenado, reduzindo a liberação do gás na atmosfera.
Outro destaque é a pulverização por drone elétrico, que substitui tratores a diesel e diminui o consumo de combustíveis fósseis. A estratégia conta com apoio de pesquisadores que acompanham cada etapa da transição.
Expansão e desafios
Há cinco anos, apenas sete propriedades locais seguiam o modelo regenerativo; hoje, são pelo menos 67. Apesar do avanço, o professor emérito da UFLA-MG, Francisco Siqueira, observa que muitos produtores ainda temem perdas financeiras durante a mudança e reforça a importância de assistência técnica.
As práticas adotadas em Montividiu incluem:
- Rotação de feijão, milho e outras culturas;
- Fertilizantes complexados que unem compostos orgânicos e químicos;
- Compostos de capim e madeira para recuperar a microbiota do solo;
- Presença de minhocas e joaninhas como indicadores de solo saudável.
O exemplo goiano reforça que a agricultura pode ser parte da solução climática ao restaurar a vitalidade do solo e capturar carbono da atmosfera.
De acordo com dados da Embrapa, o plantio direto é capaz de elevar a matéria orgânica e reduzir significativamente as emissões de óxido nitroso, confirmando as vantagens observadas no Cerrado.
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Com a crescente adoção de práticas regenerativas, Montividiu se consolida como referência em produção agrícola de baixo carbono. Continue acompanhando nossas reportagens e saiba como novas tecnologias estão transformando o campo brasileiro.
Com informações de G1
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