Washington, 21 nov. 2025 — O governo dos Estados Unidos retirou a sobretaxa de 40% que incidia sobre parte dos produtos brasileiros desde março, aliviando principalmente o agronegócio. A medida, publicada pela Casa Branca na quinta-feira (20), vale para mercadorias que chegaram ao território norte-americano a partir de 13 de novembro.
O que mudou
Deixaram de ser taxados:
- Carne bovina (todas as categorias)
- Café (em grão, torrado, solúvel e derivados)
- Frutas frescas, congeladas e processadas (laranja, abacaxi, banana, manga, açaí, entre outras)
- Cacau e derivados
- Especiarias (pimenta, gengibre, canela, cúrcuma etc.)
- Raízes e tubérculos (mandioca em todas as formas)
- Sucos e polpas de frutas
- Fertilizantes (ureia, nitratos, potássicos e fosfatados)
Permanecem com tarifa de 40%:
- Máquinas
- Motores
- Calçados
- Café solúvel industrializado
- Pescados processados
- Mel
Negociações bilaterais
A revogação parcial foi anunciada uma semana depois de Washington suspender a taxa global de reciprocidade de 10% sobre 200 produtos. Desta vez, a decisão contempla exclusivamente o Brasil. No documento oficial, o presidente Donald Trump cita conversa telefônica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ocorrida em 6 de outubro, que deu início às tratativas.
A retirada do imposto retroativa a 13 de novembro coincide com a reunião em Brasília entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, quando o tema foi discutido.
Reações em Brasília
O presidente Lula comemorou o recuo e afirmou: “Ninguém respeita quem não se respeita. Estou muito feliz porque o presidente Trump começou a reduzir a taxação de alguns produtos brasileiros”. Ele acrescentou que continuará negociando para eliminar as tarifas restantes.
Para o Itamaraty, o ato representa “avanço importante” por mencionar explicitamente o processo de negociação bilateral. Já o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, classificou a notícia como “excelente”, destacando que o Brasil volta a competir em igualdade de condições no mercado norte-americano.
Impacto para exportadores
Os Estados Unidos são o principal destino do café brasileiro, respondendo por cerca de 16% das vendas externas. Segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), as importações caíram pela metade entre agosto e outubro, na comparação com 2024, devido ao tarifaço. “É um presente de Natal antecipado”, disse o diretor-geral da entidade, Marcos Matos.
No setor de carnes, os EUA ocupavam a segunda posição entre os compradores do Brasil, absorvendo 12% da exportação total. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou, em nota, que a reversão “reforça a estabilidade do comércio internacional”.
As negociações entre Brasília e Washington seguem em curso para derrubar as tarifas que ainda incidem sobre bens industrializados.
Com informações de G1
Dados detalhados sobre tarifas dos EUA podem ser consultados no gabinete do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), responsável pela política comercial norte-americana.
Para acompanhar outras movimentações no cenário externo, visite a editoria de Internacional do Se Pôr Dentro e fique atualizado.
Quer receber mais notícias como esta? Assine nossas notificações e não perca nenhum detalhe das relações Brasil–EUA.
Siga o SE Por Dentro e entre no nosso grupo de notícias.








