Brasília – A menos de sete dias da data marcada para a assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, o governo brasileiro avalia que ainda há possibilidade de o bloco europeu voltar atrás e adiar o tratado negociado há 25 anos. O compromisso está previsto para sábado, 20 de dezembro, em Foz do Iguaçu, durante a cúpula de chefes de Estado do Mercosul.
Votações decisivas em Bruxelas
Para que a assinatura ocorra, o texto precisa ser aprovado nesta semana em duas frentes: no Parlamento Europeu e no Conselho Europeu. As votações estão programadas entre terça-feira (16/12) e quinta-feira (18/12).
Diplomatas ouvidos confirmam que a etapa no Parlamento Europeu tende a passar sem grandes obstáculos, pois requer maioria simples. A dificuldade concentra-se no Conselho Europeu, onde é exigida maioria qualificada: aval de pelo menos 15 dos 27 Estados-membros que representem 65% da população do bloco, hoje estimada em 451 milhões de habitantes.
Países favoráveis e contrários
A Alemanha, a Espanha, Portugal e a República Checa lideram o apoio ao acordo. França e Polônia permanecem contra, e há sinais de resistência de Bélgica e Áustria. A principal preocupação francesa gira em torno do impacto sobre seus agricultores diante da concorrência de produtos agropecuários sul-americanos.
Para contornar as objeções, negociadores europeus elaboraram salvaguardas que permitem suspender benefícios tarifários caso exportações do Mercosul cresçam mais de 5% em relação ao ano anterior. O Comitê de Comércio Internacional da UE aprovou a medida, que ainda precisa passar pelo Parlamento Europeu na mesma janela de votações.
Itália pode decidir
Com cerca de 59 milhões de habitantes, a Itália tornou-se o fiel da balança. Segundo cálculos diplomáticos, a eventual adesão italiana aos opositores França e Polônia somaria cerca de 36% da população do bloco, inviabilizando a maioria qualificada. Em reunião realizada em 8 de dezembro, um representante italiano em Brasília indicou apoio ao tratado, mas o clima permanece cauteloso.
Impacto para o Mercosul
Dentro do Mercosul — formado por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia — há consenso em torno da assinatura. Caso o acordo seja finalizado e entre em vigor, criará uma área de livre-comércio com 718 milhões de pessoas e PIB conjunto de US$ 22 trilhões.
Fontes do governo brasileiro alertam que o fracasso das negociações praticamente encerraria as chances de novo entendimento com a UE, empurrando o Brasil a intensificar parcerias na Ásia. Em 2025, a China já respondeu por US$ 94 bilhões em compras de produtos brasileiros, mais que o dobro dos US$ 45 bilhões adquiridos pelos países europeus.
As próximas votações em Bruxelas, portanto, serão decisivas para definir se o acordo histórico avançará ou ficará suspenso após um quarto de século de negociações.
Um panorama detalhado sobre o funcionamento do Conselho da União Europeia pode esclarecer como se formam as maiorias qualificadas exigidas para tratados comerciais.
Para acompanhar outros temas da cena internacional, acesse a seção de Internacional e fique por dentro das últimas atualizações.
Resumo: O governo brasileiro teme que a UE não aprove o acordo com o Mercosul nas votações desta semana. França e Polônia lideram a oposição, enquanto a Itália pode definir o resultado. O tratado criaria uma das maiores zonas de livre-comércio do planeta. Continue acompanhando nossas publicações para saber os próximos passos.
Com informações de G1
Siga o SE Por Dentro e entre no nosso grupo de notícias.








