Brasília, 18 de dezembro de 2025 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou que a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, solicitou um prazo máximo de 30 dias para persuadir agricultores italianos e viabilizar a adesão do país ao acordo comercial entre União Europeia e Mercosul.
Segundo Lula, o pedido foi feito durante uma ligação telefônica nesta quinta-feira (18). Meloni garantiu não ser contrária ao tratado, mas reconheceu enfrentar forte pressão do setor agrícola interno.
Prazo de até um mês
“Ela me pediu paciência de uma semana, dez dias, no máximo um mês; depois disso a Itália estará junto”, relatou o presidente em entrevista coletiva no Palácio do Planalto. Lula afirmou que levará a posição italiana à reunião do Mercosul, prevista para esta sexta-feira (19), quando os demais países do bloco irão decidir se aguardam o prazo solicitado.
Debate no Conselho Europeu
O impasse surge enquanto chefes de Estado e governo da União Europeia discutem o texto no Conselho Europeu, em Bruxelas. O presidente francês, Emmanuel Macron, reiterou que a França não apoia o acordo sem salvaguardas adicionais para seus produtores. Em sentido oposto, o chanceler alemão, Friedrich Merz, e o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, defenderam que o bloco avance com a assinatura.
Assinatura prevista para 20 de dezembro
Se aprovado pelos 27 países da UE, o tratado deverá ser assinado no sábado (20) em Foz do Iguaçu, durante a cúpula de chefes de Estado do Mercosul – formado por Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai.
Apreensão de produtores europeus
Produtores europeus, especialmente franceses, consideram que os parceiros sul-americanos seguem regras ambientais menos rígidas, o que criaria concorrência desleal. A Comissão Europeia incluiu cláusulas de proteção para setores considerados sensíveis, mas Paris avalia que as garantias são insuficientes.
Nesta terça-feira (16), o Parlamento Europeu aprovou um mecanismo que prevê a aplicação de tarifas se o preço de produtos latino-americanos ficar ao menos 5% abaixo do praticado na UE ou se o volume importado isento de tarifas crescer mais de 5%.
Apesar dos ajustes, o governo francês pediu o adiamento da assinatura. Resta saber se a Itália se alinhará à posição francesa ou ao restante do bloco após o prazo solicitado por Meloni.
Próximos passos
Caso o acordo avance, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deve viajar ao Brasil ainda esta semana para ratificar o texto concluído em 2024, após mais de duas décadas de negociação.
Mais detalhes sobre o documento podem ser consultados no site da Comissão Europeia, que congrega informações oficiais sobre todas as etapas das tratativas.
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O cenário permanece aberto e dependerá das articulações entre agricultores europeus, lideranças nacionais e os países do Mercosul nas próximas semanas. Continue acompanhando nossas atualizações e receba notícias em tempo real.
Com informações de G1
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