Pequim – A China anunciou nesta quarta-feira (31) a criação de cotas de importação para carne bovina e a aplicação de uma tarifa de 12% sobre as compras dentro desse limite. Volumes que superarem a cota anual pagarão sobretaxa de 55%. As regras entram em vigor em 1º de janeiro de 2026 e terão validade de três anos.
Limites por país
Para 2026, a cota global foi fixada em 2,7 milhões de toneladas. O Brasil, maior fornecedor do produto à China, poderá embarcar até 1,106 milhão de toneladas, seguido por Argentina (511 mil t) e Uruguai (324 mil t). Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos também receberam fatias menores (veja tabela abaixo).
Cotas anuais de importação de carne bovina pela China (em mil t)
2026 – Brasil 1.106 / Argentina 511 / Uruguai 324 / Nova Zelândia 206 / Austrália 205 / EUA 164
2027 – Brasil 1.128 / Argentina 521 / Uruguai 331 / Nova Zelândia 210 / Austrália 209 / EUA 168
2028 – Brasil 1.151 / Argentina 532 / Uruguai 337 / Nova Zelândia 214 / Austrália 213 / EUA 171
Impacto na balança brasileira
Entre janeiro e novembro deste ano, o Brasil exportou 1,52 milhão de toneladas ao mercado chinês, superando o teto estabelecido para 2026. A China responde por 48% do volume total embarcado pelo país e por 49,9% da receita, que somou US$ 8,08 bilhões, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que a decisão “não é tão preocupante”, pois os embarques atuais se aproximam da nova cota e o país busca diversificar mercados. O governo pretende negociar a transferência de parte das cotas de outras nações para o Brasil.
Preocupação do setor
Para a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), a medida pode representar perda de até US$ 3 bilhões em 2026. A entidade avalia que o menor estímulo ao pecuarista pode afetar produção, emprego e renda ao longo da cadeia.
Motivação chinesa
O Ministério do Comércio chinês justificou as salvaguardas alegando que o aumento das importações “prejudicou seriamente” a indústria local. O país, segundo maior consumidor global de carne bovina atrás dos Estados Unidos, investigava o impacto das compras externas desde 2024.
Especialistas como Hongzhi Xu, da consultoria Beijing Orient Agribusiness, lembram que a pecuária chinesa não é competitiva frente a países como Brasil e Argentina e precisa de tempo para ajustes. As novas tarifas devem conter a redução do rebanho doméstico e garantir margem para produtores locais, destacou Zengyong Zhu, do Instituto de Ciência Animal da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas.
De acordo com dados da alfândega, o Brasil exportou 1,33 milhão de toneladas aos chineses nos primeiros 11 meses deste ano, superando o novo limite. No mesmo período, a Austrália reforçou presença, enquanto os EUA perderam espaço após barreiras tarifárias entre Pequim e Washington.
Com informações de G1
Segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC), medidas de salvaguarda são permitidas quando importações excessivas ameaçam causar dano sério à produção doméstica.
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