Os Estados Unidos anunciaram que vão comandar a Venezuela “até que haja uma transição segura”, depois da captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em Caracas. Em pronunciamento, o presidente Donald Trump afirmou que pretende levar “as maiores empresas petrolíferas americanas” de volta ao país sul-americano para recuperar a infraestrutura de produção e gerar receita.
Dependência venezuelana
O petróleo é responsável por aproximadamente 90% das exportações da Venezuela e sempre foi a principal fonte de renda do Estado. O país detém mais de 300 bilhões de barris em reservas provadas – a maior quantidade do mundo –, mas hoje responde por menos de 1% da oferta global, após sucessivas quedas na produção.
Produção em declínio
A produção venezuelana de petróleo bruto encolheu mais de 70% desde o fim da década de 1990. Na década de 1960, o país chegou a representar mais de 10% da produção mundial; atualmente ocupa o 21º lugar entre os produtores. Analistas atribuem o colapso a problemas de gestão na estatal PDVSA, à corrupção, à saída de investimentos estrangeiros e às sanções econômicas impostas pelos EUA a partir de 2017.
Participação das petrolíferas norte-americanas
No século XX, companhias dos EUA foram decisivas para o desenvolvimento do setor na Venezuela. Após a onda de nacionalizações do governo Hugo Chávez, somente a Chevron permaneceu. Em 2022, a empresa recebeu do governo Joe Biden licenças especiais para exportar petróleo venezuelano sob condições estritas. Em outubro de 2025, a administração Trump renovou a autorização, definindo a Chevron como “parceiro vital”.
Trump declarou que outras gigantes, como ExxonMobil e ConocoPhillips – que tiveram ativos expropriados em 2007 –, poderão regressar. Ambas obtiveram decisões internacionais favoráveis a indenizações multimilionárias, nunca pagas por Caracas.
Por que os EUA querem petróleo venezuelano
Embora sejam o maior produtor mundial, os Estados Unidos extraem sobretudo petróleo leve. Suas refinarias, especialmente na costa do Golfo do México, são projetadas para processar petróleo pesado, tipo abundante na Venezuela. Atualmente, as refinarias americanas importam esse petróleo de Canadá e México para manter a operação eficiente.
Obstáculos à retomada
Especialistas apontam entraves legais e logísticos para que o fluxo de petróleo venezuelano volte ao mercado norte-americano. A infraestrutura do país precisará de investimentos após anos de baixa manutenção e sanções. Segundo o ex-secretário de Energia Dan Brouillette, qualquer aumento de produção será “gradual, não repentino”.
Presença chinesa
A China é parceira relevante da Venezuela e, atualmente, recebe a maior parte do petróleo exportado pelo país. A estatal CNPC mantém joint ventures com a PDVSA. Pequim criticou a captura de Maduro, classificando a ação como violação da soberania venezuelana.
Apesar do quadro de incerteza, a vice-presidente interina Delcy Rodríguez disse estar aberta a cooperação com Washington para “um desenvolvimento compartilhado”.
No cenário internacional, a eventual liberação de mais petróleo venezuelano pode ampliar o excedente global em 2026, quando analistas já preveem queda nos preços.
Próximos passos
O volume de investimentos necessários na indústria venezuelana deve ficar mais claro nas próximas semanas, à medida que empresas e governos avaliem as condições das instalações e as possibilidades de novas licenças.
Dados da Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA) mostram que as refinarias americanas importam diariamente cerca de 1,7 milhão de barris de petróleo pesado, reforçando o interesse em fontes alternativas como a venezuelana.
Para acompanhar outras atualizações sobre o cenário internacional, visite a editoria de Internacional do Se Por Dentro.
O desenvolvimento das negociações entre Caracas e Washington seguirá determinante para o ritmo de recuperação da produção venezuelana e para o abastecimento de refinarias nos EUA. Continue acompanhando nossas publicações e receba as últimas notícias diretamente no seu dispositivo.
Com informações de G1
Siga o SE Por Dentro e entre no nosso grupo de notícias.








