A aprovação, nesta sexta-feira (9), do mandato da União Europeia para assinatura do acordo de livre-comércio com o Mercosul foi recebida com entusiasmo pelo agronegócio brasileiro. O tratado, previsto para ser formalizado em 17 de janeiro, criará a maior zona de livre comércio do mundo.
Reação das entidades
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) classificou a decisão como um “avanço relevante” para a previsibilidade comercial e o fortalecimento das relações entre os dois blocos. Segundo a entidade, o acordo reforça a imagem do Brasil como fornecedor confiável de proteínas animais, baseado em sanidade, sustentabilidade e capacidade produtiva.
Para a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), o aval europeu coroa mais de duas décadas de negociações. O presidente da Faesp, Tirso Meirelles, lembrou que o tarifaço imposto pelos Estados Unidos em 2025 reforçou a importância de ampliar acordos bilaterais.
Impacto nos grãos e cereais
A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) afirmou que a parceria poderá oferecer maior previsibilidade, redução de custos e ganho de competitividade para soja em grão, farelo de soja e milho, produtos que hoje já entram no mercado europeu sem tarifa.
Perspectivas para o café
O diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, destacou que a isenção tarifária para café solúvel, torrado e moído, prevista para ocorrer em até quatro anos, poderá elevar em até 35% os embarques brasileiros, reduzindo a vantagem competitiva hoje desfrutada pelo Vietnã.
Salvaguardas e cotas
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, disse que o acordo abre oportunidades adicionais para o bloco sul-americano e que as salvaguardas aprovadas pelo Parlamento Europeu poderão ser discutidas durante o processo de implementação. As medidas permitem à UE suspender temporariamente benefícios tarifários caso identifique prejuízo a seus produtores.
Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), as salvaguardas podem limitar exportações, mas o tratado eleva o patamar da parceria. O texto estabelece cota conjunta de 99 mil toneladas anuais de carne bovina, com tarifa inicial de 7,5%, para Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e a própria CNA foram procuradas nesta sexta-feira, mas não responderam até o fechamento desta reportagem.
Atualmente, a União Europeia é o segundo maior destino do agronegócio brasileiro, atrás da China e à frente dos Estados Unidos, cenário que tende a se consolidar com a entrada em vigor do acordo.
Mais detalhes sobre o tratado podem ser conferidos na página oficial da Comissão Europeia, que reúne documentos e perguntas frequentes sobre o pacto comercial (policy.trade.ec.europa.eu).
Para acompanhar outras matérias sobre comércio internacional e os reflexos na economia, visite a seção Internacional do nosso site.
O avanço nas negociações entre Mercosul e União Europeia promete redefinir o fluxo de produtos brasileiros no exterior. Continue acompanhando nossas publicações para saber como essas mudanças podem impactar produtores e consumidores.
Com informações de G1
Siga o SE Por Dentro e entre no nosso grupo de notícias.








