São Paulo – O Banco Central (BC) identificou uma operação financeira que, segundo as autoridades, turbinou artificialmente o patrimônio do Banco Master por meio de fundos administrados pela Reag. A descoberta levou, na quinta-feira (15), à liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Trust DTVM.
Como funcionava a engenharia financeira
O BC detalhou que o Master emitia Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com remuneração acima do mercado para atrair recursos. Em 22 de abril de 2024, a instituição concedeu um empréstimo de R$ 459 milhões à Brain Realty Consultoria. Dois dias depois, quase todo o valor – R$ 450 milhões – foi injetado no fundo Brain Cash, sob administração da Reag.
A quantia circulou, em poucos minutos, entre outros fundos da gestora, como D Mais e High Tower. Este último utilizou o dinheiro para adquirir, por cerca de R$ 850 milhões, títulos antigos do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc). No balanço, porém, esses papéis foram registrados com valor superior a R$ 10 bilhões, inflando resultados e rentabilidade.
Na sequência, parte dos títulos superavaliados foi revendida a outros veículos da Reag, ampliando a distorção contábil. Os R$ 450 milhões originais acabaram pulverizados em carteiras como Anna, Astralo 95 e Growth 95. Três horas depois, praticamente todo o montante retornou ao Banco Master sob a forma de aplicação em CDBs.
Objetivo: mascarar risco e demonstrar solidez
De acordo com a investigação, a manobra criava aparência de liquidez e robustez patrimonial, enquanto ocultava a real exposição ao risco. “Na prática, o banco financiava a si próprio, dificultando o rastreamento dos recursos”, avaliou o Banco Central nos autos.
Operação Compliance Zero e reflexos na Reag
As operações do Banco Master e da Reag já vinham sendo apuradas pela Polícia Federal desde 2024. A gestora, também citada em inquérito sobre suposta ligação com a facção criminosa PCC, passou a ser alvo direto da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras e possíveis práticas de lavagem de dinheiro.
Com a liquidação da CBSF DTVM, os bens de controladores e ex-administradores foram tornados indisponíveis. Os fundos sob gestão da entidade permanecem ativos, mas deverão nomear novos administradores. A APS Serviços Especializados de Apoio Administrativo Ltda. foi indicada como liquidante.
O Banco Central informou que seguirá apurando responsabilidades e poderá aplicar sanções administrativas. Paralelamente, a PF aponta que controladores do Banco Master e do grupo Reag utilizaram familiares para ocultar patrimônio e participação societária.
A liquidação do próprio Banco Master havia sido decretada em novembro de 2025, também por descumprimento de normas prudenciais.
O caso continua sob investigação pelas autoridades monetária e policial.
Com informações de G1
De acordo com o Banco Central do Brasil, a liquidação extrajudicial é adotada quando a instituição apresenta graves irregularidades ou compromete sua situação econômica-financeira.
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