Mesmo com a valorização de quase 14% do real em 2025 e o Ibovespa renovando recordes, economistas apontam que a volatilidade deve seguir alta até o fim do ano. No radar estão o rumo da política fiscal brasileira, o ritmo dos cortes de juros aqui e nos Estados Unidos e as iniciativas do presidente norte-americano Donald Trump sobre tarifas e o Federal Reserve (Fed).
Cenário fiscal brasileiro entra em foco
A proximidade de 2026, ano eleitoral, reforça as dúvidas sobre o Orçamento e eventuais ajustes em programas de transferência de renda. “A discussão do Orçamento de 2026 tende a ganhar peso já neste segundo semestre”, resume Álvaro Frasson, macroestrategista do BTG Pactual Portfolio Solutions. Entre os pontos de atenção estão possíveis reajustes no Bolsa Família e a capacidade do governo de manter a trajetória de consolidação fiscal.
EUA: tarifas e independência do Fed preocupam
No exterior, analistas recomendam cautela. A Suprema Corte norte-americana aceitou julgar a legalidade do pacote tarifário assinado por Trump, após recurso do Departamento de Justiça. Parte das taxas foi aplicada com base em legislação de emergência e, segundo decisão de instância inferior, teria extrapolado a autoridade presidencial.
Para o Brasil, o impacto direto é considerado limitado. O economista-chefe do Itaú Unibanco, Mário Mesquita, estima efeito de 0,1 ponto percentual no Produto Interno Bruto (PIB) após a exclusão de uma lista de produtos da alíquota média de 50% – reduzida a cerca de 30%.
Outro foco de tensão é a tentativa de Trump de afastar Lisa Cook, diretora do Fed, episódio visto como ameaça à independência da autoridade monetária. A legislação dos EUA impede a demissão de dirigentes do banco central sem comprovação de má conduta.
Cortes de juros: quanto e até quando?
O Fed reduziu a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para o intervalo de 4% a 4,25% ao ano – primeiro corte em nove meses. O Itaú projeta mais duas reduções até dezembro, mas avalia que o ciclo deve ser curto, pois a economia norte-americana segue resiliente.
No Brasil, a combinação de real forte, recuo das expectativas de inflação e crescimento mais lento abre espaço para o Banco Central iniciar cortes na Selic no fim de 2025 ou início de 2026. “A autoridade monetária aguarda sinais consistentes de arrefecimento no mercado de trabalho”, explica Frasson.
Atividade econômica dá sinais de desaceleração
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB avançou 0,4% no segundo trimestre, desacelerando após alta de 1,3% nos três meses anteriores. O movimento reflete o impacto de juros elevados sobre o consumo, ainda sustentado por desemprego baixo e massa salarial em alta.
Enquanto investidores aguardam definições sobre juros e política fiscal, o ambiente eleitoral de 2026 e possíveis intervenções de Trump no comércio global permanecem como os principais gatilhos de oscilação para os mercados.
Mais detalhes sobre a política monetária norte-americana podem ser consultados no site oficial do Federal Reserve.
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Com informações de g1
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