Brasília – O acordo comercial firmado no sábado (17) entre União Europeia (UE) e Mercosul reduz ou elimina gradualmente tarifas que incidem sobre mais de 90% do fluxo de mercadorias entre os blocos, resultado de 25 anos de negociação. Os números mostram que o Brasil sustenta a maior parte dessa relação: responde por 82% das importações europeias originadas no Mercosul e por 79% das exportações do bloco sul-americano para o continente.
Importações brasileiras concentradas
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicam que, em 2025, três países europeus concentraram 57% dos US$ 50,3 bilhões importados pelo Brasil:
• Alemanha – US$ 14,4 bilhões (28,6%)
• França – US$ 7,2 bilhões (14,3%)
• Itália – US$ 7,1 bilhões (14%)
Entre os produtos mais comprados estão medicamentos (US$ 8,1 bilhões), autopeças (US$ 2,5 bilhões) e motores ou máquinas não elétricas (US$ 2,4 bilhões). Segundo José Pimenta, diretor da BMJ Consultoria, a retirada de tarifas que hoje chegam a 40% pode reduzir sensivelmente o custo desses insumos para a indústria nacional.
Exportações brasileiras como base produtiva europeia
Do lado europeu, cinco mercados absorveram 73% dos US$ 49,81 bilhões exportados pelo Brasil em 2025:
• Holanda – US$ 11,7 bilhões (23,6%)
• Espanha – US$ 8,8 bilhões (17,7%)
• Alemanha – US$ 6,5 bilhões (13,1%)
• Itália – US$ 5,3 bilhões (10,8%)
• Bélgica – US$ 4 bilhões (8,1%)
A pauta é dominada por itens básicos para cadeias produtivas e abastecimento energético, como petróleo bruto (US$ 9,8 bilhões), café não torrado (US$ 7,1 bilhões) e farelo de soja (US$ 4 bilhões).
Assimetria interna no Mercosul
Embora negociado em bloco, o tratado revela disparidades. Em 2024, o Brasil exportou para a UE quase cinco vezes mais que a Argentina, cujas vendas somaram US$ 8,5 bilhões. Uruguai e Paraguai têm participação menor e enfrentam restrições regulatórias e ambientais para ampliar embarques.
A distância política também pesa. Especialistas apontam que o distanciamento entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o argentino Javier Milei limitou a articulação de Buenos Aires na fase final das tratativas, reforçando o protagonismo diplomático brasileiro. Já o Paraguai ganhou visibilidade ao assumir a presidência temporária do Mercosul em 2026, etapa que conduz a ratificação interna do acordo.
Com a assinatura, ambos os blocos esperam integrar cadeias produtivas estratégicas e diversificar mercados em meio a tensões geopolíticas globais, enquanto o Brasil consolida sua posição como principal elo comercial entre América do Sul e Europa.
Com informações de G1
Um panorama detalhado sobre o acordo pode ser consultado no site oficial da Comissão Europeia, responsável pelas negociações externas do bloco (policy.trade.ec.europa.eu).
Para acompanhar outras notícias internacionais que impactam a economia brasileira, visite a seção de Internacional do nosso site.
O tratado UE–Mercosul marca um passo histórico após décadas de conversas. Continue navegando conosco para entender como as mudanças tarifárias podem afetar setores produtivos e o cotidiano do consumidor brasileiro.
Siga o SE Por Dentro e entre no nosso grupo de notícias.








