Os países da União Europeia (UE) e do Mercosul assinaram no sábado, 17, um acordo de livre-comércio que pode reduzir ou eliminar tarifas sobre 77% dos produtos agropecuários hoje vendidos pelo bloco sul-americano ao mercado europeu. Para entrar em vigor, o tratado ainda precisa ser ratificado pelos Parlamentos nacionais.
Tarifas zeradas em até dez anos
Pelo texto acertado, as taxas de importação de itens como café, frutas, peixes, crustáceos e óleos vegetais serão gradualmente extintas em prazos que variam de quatro a dez anos, conforme o produto. O bloco europeu é atualmente o segundo maior destino do agronegócio brasileiro, atrás da China e à frente dos Estados Unidos.
Carnes ganham novas cotas
No caso da carne bovina, o Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai poderão exportar em conjunto 99 mil toneladas por ano com tarifa inicial de 7,5%. A cota Hilton, reservada a cortes nobres, também passará de 20% para alíquota zero. Para as aves, o acordo cria cota de 180 mil toneladas anuais livre de imposto, distribuída em seis anos.
Café solúvel mais competitivo
Embora o café em grão já entre na UE sem tarifa, o solúvel paga hoje 9% de imposto e o torrado e moído, 7,5%. Esses percentuais serão zerados em quatro anos, aproximando o Brasil do Vietnã, principal concorrente nesse segmento, que já possui tarifa zero.
Soja permanece inalterada
Produto agrícola mais exportado para a UE, a soja já goza de isenção tarifária para grãos e farelo. Assim, o cenário não muda para o setor, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).
Salvaguardas europeias
Em dezembro, Bruxelas aprovou salvaguardas que permitem suspender benefícios tarifários se a importação de um produto considerado sensível crescer mais de 5% na média de três anos. As investigações poderão durar até três meses — dois no caso de artigos mais delicados —, medida vista com preocupação por entidades do agro brasileiro.
O regulamento também exige que países do Mercosul cumpram padrões de produção equivalentes aos exigidos na UE, o que pode gerar questionamentos sobre o uso de defensivos agrícolas e fertilizantes.
Contexto geopolítico
O acordo ganhou impulso após a queda das exportações do Brasil para os Estados Unidos em 2025, provocada por tarifas impostas pelo então presidente Donald Trump. Paralelamente, China e México adotaram restrições à carne brasileira, e Washington ameaçou taxar quem negociar com o Irã, elevando a relevância do mercado europeu.
Se ratificado, o tratado envolverá cerca de 722 milhões de habitantes e US$ 22 trilhões em Produto Interno Bruto, formando uma das maiores áreas de livre-comércio do mundo.
O texto segue agora para análise nos Parlamentos dos 27 países da UE e dos quatro membros do Mercosul. A expectativa é que o processo de aprovação se estenda pelos próximos meses.
Próximos passos: produtores e autoridades acompanham de perto o trâmite legislativo para avaliar quando as novas regras poderão começar a valer.
[Final natural da notícia – último parágrafo com as informações]
Dados oficiais sobre tarifas agropecuárias entre blocos podem ser consultados no Ministério da Agricultura e Pecuária.
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O acordo UE–Mercosul ainda precisa superar etapas legais, mas já revela oportunidades significativas para o campo brasileiro. Acompanhe nossas atualizações e fique por dentro dos próximos desdobramentos.
Com informações de G1
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