
São Paulo – O mercado de capitais brasileiro voltou a registrar uma oferta pública inicial de ações (IPO) depois de quatro anos. O banco digital PicPay estreia suas ações nesta quinta-feira (29), marcando a primeira abertura de capital de uma empresa do país desde 2022.
Outro IPO anunciado é o do Agibank, que ainda não definiu data para a operação. Assim como o PicPay, a fintech pretende listar seus papéis nos Estados Unidos.
Juros altos afastam investidores locais
Especialistas atribuem a preferência pelo exterior ao patamar da Selic, hoje em 15% ao ano, o maior em duas décadas. “Estamos falando de uma taxa real de dois dígitos, muito elevada. Num cenário desses, o investidor migra para a renda fixa”, afirma Roderick Greenlees, diretor global de investment banking do Itaú BBA.
O movimento de alta começou em 2021, ano em que o Brasil registrou mais de 40 IPOs. A Selic saiu de 2% em janeiro para 9,25% em dezembro daquele ano. A escalada continuou até alcançar 15% em junho de 2025, acrescenta o executivo.
Com menos recursos destinados à bolsa, fundos de ações encolheram. “Muitos produtos foram descontinuados nos últimos dois ou três anos”, complementa Bruno Saraiva, corresponsável pela área de banco de investimentos do Bank of America no Brasil.
Condições externas mais favoráveis
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve iniciou cortes de juros em setembro do ano passado. Após três reduções, a taxa passou para o intervalo de 3,50% a 3,75%. O diferencial reforça a atratividade de Wall Street para companhias brasileiras, observa Leonardo Resende, superintendente de empresas e mercado de capitais da B3.
Segundo Resende, fatores como setor de atuação, tese de investimento e localização dos concorrentes também pesam. No caso do PicPay, empresas do mesmo segmento — Nubank, PagSeguro, StoneCo e XP — já têm capital aberto nos Estados Unidos.
Perspectivas para o mercado doméstico
A expectativa de que o Banco Central inicie cortes de juros no primeiro trimestre traz algum otimismo. O Boletim Focus projeta a Selic em 12,25% ao ano no fim de 2026, redução de 2,75 pontos percentuais.

“Talvez não volte a abundância de ofertas vista no passado, mas já permite a retomada de algumas operações”, avalia Greenlees. Fatores como o cenário geopolítico e o compromisso do governo com as contas públicas seguem no radar de investidores.
Saraiva, do BofA, classifica 2026 como um “início de retomada” para IPOs no Brasil. Ele projeta maior atividade caso haja agenda de reformas e continuidade da queda dos juros em 2027.
Para entender melhor o histórico da taxa básica de juros, o leitor pode consultar a série oficial divulgada pelo Banco Central do Brasil.
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O retorno dos IPOs de empresas brasileiras, ainda que tímido e concentrado no exterior, indica um possível reaquecimento do mercado de capitais. Acompanhe nossas atualizações para saber como essa tendência pode influenciar novos investimentos.
Com informações de g1
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