
Buenos Aires, 6 de fevereiro de 2026 – A Argentina quer ampliar a flexibilidade do Mercosul e permitir que seus integrantes fechem tratados fora do bloco com menos burocracia. A sinalização foi dada nesta sexta-feira (6) pelo ministro das Relações Exteriores argentino, Pablo Quirno, em entrevista coletiva.
“Todos os acordos bilaterais são permitidos dentro do Mercosul”, afirmou o chanceler ao detalhar o pacto selado na véspera entre Buenos Aires e Washington.
Entenda o acordo com os Estados Unidos
O documento negociado com a Casa Branca prevê:
- redução de tarifas sobre milhares de produtos norte-americanos, que poderão cair para 0% ou cerca de 2%;
- cotas isentas, como 80 mil toneladas de carne bovina e 10 mil veículos produzidos nos EUA;
- eliminação de tarifas para itens agrícolas argentinos e limite de sobretaxas a 10% sobre outros bens;
- cooperação ao longo de toda a cadeia de alumínio e aço no território argentino, do garimpo ao refino e à exportação.
O tratado só entra em vigor 60 dias depois da troca de notificações formais que confirmem a conclusão dos trâmites legais internos — ou em outra data que as partes estabelecerem.
China não fica de fora
Quirno ressaltou que a negociação com Washington não impede a participação chinesa em investimentos na mineração local. Materiais considerados críticos continuam no radar de Pequim, mesmo diante da estratégia do presidente norte-americano, Donald Trump, de reduzir a dependência sobre a cadeia produtiva chinesa nesses insumos estratégicos para tecnologia, energia e defesa.
Tarifas sobre aço e alumínio em análise
Outro ponto em discussão é a possibilidade de Trump e o presidente Javier Milei reverem as tarifas sobre alumínio e aço argentinos destinados ao mercado norte-americano. O tema seguirá na mesa de diálogo, segundo o chefe do Itamaraty argentino.

Próximos passos
Para o embaixador dos EUA e negociador comercial, Jamieson Greer, a expectativa é ampliar negócios que vão de veículos automotores a produtos agrícolas. O texto também promete derrubar “barreiras comerciais de longa data” e ampliar o acesso de exportadores norte-americanos ao mercado argentino.
Especialistas lembram que iniciativas desse tipo costumam ser debatidas no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), responsável por regular o comércio internacional.
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Com informações de g1
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