Aracaju — A Arquidiocese de Aracaju iniciou, na noite desta terça-feira (25), o processo preparatório da Campanha da Fraternidade 2026 (CF-2026). A reunião de lançamento, realizada no Centro de Pastoral Dom José Brandão de Castro, contou com a presença do arcebispo metropolitano, dom João José Costa, de coordenadores paroquiais e representantes de pastorais, movimentos e serviços ligados à Igreja Católica na capital e no interior do estado.
Embora o tema e o lema bíblico oficiais da próxima campanha nacional só venham a ser definidos pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em 2025, a equipe arquidiocesana decidiu antecipar as atividades para ampliar a participação popular. Durante o encontro, ficou acordado que paróquias, comunidades e grupos terão até o fim de setembro para enviar sugestões de eixos temáticos, subsídios catequéticos e iniciativas de caridade que possam compor o programa local da CF-2026.
Metodologia de trabalho
Segundo o coordenador de pastoral da arquidiocese, padre José Carlos Santos, o calendário foi dividido em três fases. A primeira, de escuta, envolve assembleias comunitárias, visitas missionárias e questionários on-line. Na segunda etapa, em novembro, uma síntese com as propostas mais recorrentes será apresentada ao conselho presbiteral. Por fim, em fevereiro de 2026, véspera da Quarta-feira de Cinzas, será divulgado o plano de ação definitivo para todas as 103 paróquias.
“Queremos que a Campanha da Fraternidade deixe de ser apenas um cartaz fixado na parede e se torne verdadeiro caminho de conversão social”, afirmou o religioso, lembrando que a iniciativa deve articular evangelização, compromisso sociopolítico e obras de misericórdia.
Foco em realidades sergipanas
Embora ainda não exista um tema nacional, a arquidiocese enfatizou que pretende priorizar questões que atingem diretamente a população sergipana, como insegurança alimentar, violência doméstica e déficit habitacional. Representantes da Cáritas Arquidiocesana sugeriram a criação de mutirões solidários para reforma de moradias precárias em bairros periféricos da Grande Aracaju.
Outra proposta em discussão é a realização de um minicenso paroquial, que serviria de base para políticas de assistência desenvolvidas pela igreja em parceria com órgãos públicos e entidades da sociedade civil. De acordo com a economista Paula Valença, voluntária da pastoral social, a falta de dados consolidados “dificulta traçar estratégias efetivas, seja para distribuição de cestas básicas, seja para cursos de capacitação profissional”.
Próximos passos
Entre julho e agosto, cada foranias promoverá formações temáticas para leigos e religiosos. Nessas oficinas, serão debatidas sugestões de roteiros de círculos bíblicos, rodas de conversa com juventudes e campanhas de arrecadação. O material produzido servirá de base para o caderno arquidiocesano que acompanhará o texto-base nacional da CF-2026.
Dom João José Costa ressaltou a importância de integrar a juventude. “Precisamos que os jovens deixem de ser apenas destinatários das ações pastorais e passem a ser protagonistas. A Campanha da Fraternidade é oportunidade singular de despertar vocações para o serviço à vida”, destacou o arcebispo.
Importância da Campanha da Fraternidade
Lançada em 1964, a Campanha da Fraternidade é uma ação evangelizadora da Igreja no Brasil que propõe, a cada ano, reflexões sobre problemas sociais, políticos, econômicos e ambientais à luz do Evangelho. Tradicionalmente, a mobilização começa na Quarta-feira de Cinzas e se estende até a Páscoa, mas seus efeitos costumam repercutir ao longo de todo o ano litúrgico.
Para Sergipe, a antecipação dos debates permite que as propostas locais cheguem à CNBB com maior consistência, aumentando as chances de que demandas regionais sejam contempladas no documento nacional. A expectativa da equipe arquidiocesana é entregar, até novembro, um dossiê com pelo menos 50 sugestões vindas das bases comunitárias.
Como participar
Os fiéis interessados podem acessar, a partir de 1º de julho, um formulário eletrônico que será disponibilizado no site da arquidiocese. Também serão coletadas contribuições presenciais durante celebrações e assembleias. As informações recebidas serão sistematizadas por uma comissão formada por leigos, padres e especialistas de diferentes áreas.
Se mantido o cronograma, a Arquidiocese de Aracaju deverá ser uma das primeiras do Nordeste a concluir a fase de escuta da Campanha da Fraternidade 2026, reforçando o compromisso da igreja local com a construção coletiva de respostas aos desafios contemporâneos.
Com informações de Infonet
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