Durante entrevista ao programa Pânico, da Jovem Pan, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), só alcançou notoriedade nacional a partir do convite feito por Jair Bolsonaro para chefiar o extinto Ministério da Infraestrutura. “Ninguém sabia quem era o Tarcísio até meu pai chamá-lo para o governo”, declarou o parlamentar, ao comentar os bastidores da escolha do então auxiliar para disputar o Palácio dos Bandeirantes nas eleições de 2022.
Flávio lembrou que a indicação de Tarcísio ao primeiro escalão ocorreu ainda no período de transição, em 2018, e destacou que as entregas de obras de infraestrutura foram decisivas para consolidar a imagem do engenheiro militar. “Ele se tornou vitrine pelas entregas que fez, principalmente em rodovias, ferrovias e concessões”, pontuou o senador, classificando o ex-ministro como “quadro técnico” que ganhou “lastro político” apenas posteriormente.
‘Candidato natural’ ao governo paulista
Ao fazer um retrospecto da eleição paulista, Flávio Bolsonaro relatou que diferentes nomes chegaram a ser avaliados pelo núcleo político do Palácio do Planalto, mas que a performance de Tarcísio à frente da Infraestrutura acabou pesando. Segundo o senador, pesquisas internas apontavam, à época, que o eleitorado conservador no estado buscava um perfil “gestor” e “pragmático”. “Quando o nome dele apareceu na amostragem, disparou”, afirmou.
Questionado sobre a resistência inicial do próprio Tarcísio em concorrer, Flávio disse que o então ministro receava abandonar obras em curso e temia a rejeição pelo fato de não ser paulista. “Foi preciso convencê-lo de que a vitrine que ele construiu tinha potencial para vencer”, observou. O senador acrescentou que a campanha priorizou a exibição de resultados de infraestrutura realizados em São Paulo, como a duplicação de trechos da rodovia BR-116 e a concessão de terminais portuários em Santos.
Aliança mantida para 2026
Diante dos rumores sobre eventuais distanciamentos entre o governador e o bolsonarismo, o parlamentar garantiu que a parceria política permanece firme. “Hoje o Tarcísio é um aliado estratégico, conversa com o presidente Bolsonaro com frequência e compactua com as mesmas pautas de liberdade econômica, porte de armas e combate à criminalidade”, sustentou.
Flávio admitiu, contudo, que o governador tem buscado diálogo com partidos de centro para garantir governabilidade na Assembleia Legislativa, movimento considerado “natural” pelo congressista. “Ele não vai conseguir aprovar privatização da Sabesp ou reforma administrativa só com a direita; precisa ampliar base. Mas isso não significa rompimento com nosso campo”, avaliou.
Possível candidatura presidencial
No bate-papo, Flávio também abordou especulações sobre 2026. De acordo com ele, a prioridade do clã Bolsonaro continua sendo reverter a inelegibilidade do ex-presidente, mas Tarcísio desponta como “plano B” caso a Justiça Eleitoral mantenha a punição. “Ele tem perfil, experiência e agora base eleitoral no maior estado do país”, argumentou o senador. Ainda assim, disse que qualquer definição será discutida “mais à frente”, após avaliação dos cenários jurídico e político.
O senador ressaltou que a eventual migração de Tarcísio para o PL é tema recorrente nas conversas, mas que a sigla ainda estuda o melhor momento para isso. “Há todo um cálculo sobre tempo de TV e alianças estaduais”, pontuou, sinalizando que a mudança pode ocorrer até abril de 2026, prazo final para filiações de quem pretende disputar o pleito majoritário.
Contexto e repercussão
A declaração de Flávio ocorre em meio a um cenário de reorganização das forças de direita após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022 e às discussões sobre quem liderará o campo conservador nos próximos anos. No estado de São Paulo, Tarcísio divide a cena com o ex-governador Rodrigo Garcia (PSDB) e com figuras emergentes, como o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), que tentará a reeleição em 2024.
Analistas políticos ouvidos por veículos nacionais apontam que a manutenção do apoio de Jair Bolsonaro ao governo paulista será determinante para a consolidação de Tarcísio como opção presidencial, especialmente entre o eleitorado que permanece fiel ao ex-chefe do Executivo. Nos bastidores, dirigentes do PL avaliam que o desempenho do governador na segurança pública e a condução de privatizações serão indicadores-chave de viabilidade.
Com informações de Jovem Pan
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