São Paulo — O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) recorreu às redes sociais para conclamar seus seguidores a participar de uma manifestação na Avenida Paulista, na capital paulista, direcionada contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. A convocação, divulgada pelo parlamentar nesta semana, não detalha horário ou data exatos, mas destaca a via mais emblemática para protestos políticos no país como palco do ato.
Ferreira, que figura entre os deputados mais votados nas eleições de 2022 e exerce forte influência sobre o eleitorado conservador nas plataformas digitais, afirmou que a mobilização teria como principal objetivo “pressionar por liberdade de expressão” e “denunciar abusos de poder” supostamente cometidos pelo governo federal e por integrantes do Judiciário. A publicação que formaliza o convite circulou em perfis oficiais do congressista e foi rapidamente reproduzida por aliados políticos e grupos de apoiadores.
Polarização em torno do STF e do Executivo
A iniciativa se insere em um contexto de tensão crescente entre parte da bancada bolsonarista na Câmara e o Supremo Tribunal Federal. O grupo critica decisões recentes da Corte, especialmente no âmbito de inquéritos que investigam ataques às instituições democráticas e a disseminação de fake news. O ministro Alexandre de Moraes, relator de alguns desses processos, tornou-se alvo recorrente de parlamentares e influenciadores de direita. O ministro Dias Toffoli, citado na convocação, também vem sendo contestado por declarações e despachos relativos à Operação Lava Jato.
Já o presidente Lula aparece na convocação como representante máximo do Executivo e, segundo o deputado, corresponsável pelo que ele descreve como “cerceamento de liberdades”. Ainda que o Palácio do Planalto não tenha se manifestado sobre o chamamento, auxiliares avaliam que atos do gênero fazem parte de um “calendário permanente” de manifestações bolsonaristas, que procurariam manter sua base politicamente mobilizada.
Repercussão na Câmara e entre especialistas
Dentro do Congresso, líderes de partidos de oposição ao governo repercutiram o anúncio com entusiasmo, classificando o protesto como “legítimo” e “necessário” para marcar posição contra avanços institucionais considerados excessivos. Parlamentares de siglas aliadas ao Planalto, por sua vez, criticaram o tom da convocação e alertaram para o risco de discursos de incitação à desobediência civil.
Especialistas ouvidos por veículos da grande imprensa recordam que a Avenida Paulista tem histórico de grandes manifestações políticas, sobretudo desde as jornadas de 2013 e, posteriormente, nos atos pró-impeachment de 2016. O cientista político Cláudio Couto, por exemplo, observa que a “via se tornou símbolo de disputas narrativas”, onde diferentes campos ideológicos testam sua capacidade de mobilização popular.
Segurança, logística e expectativa de público
Até o momento, a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo não divulgou um esquema especial de policiamento para o ato. Em situações anteriores, a pasta costuma acionar a Polícia Militar para monitorar a região, sobretudo no entorno dos principais cruzamentos da Paulista, como o trevo com a rua da Consolação e a avenida Brigadeiro Luís Antônio. O Metrô de São Paulo também acompanha concentrações na avenida para definir eventuais mudanças de acesso em estações próximas, a exemplo de Consolação, Paulista e Trianon-Masp.
Organizadores ligados a Nikolas Ferreira evitam, por ora, divulgar estimativas de público. Em convocações semelhantes, o número final de participantes costuma variar de acordo com a adesão de caravanas de outras cidades e a presença de lideranças políticas de peso nacional. Nos bastidores, aliados aguardam a confirmação da participação de parlamentares e figuras religiosas afinadas com a pauta conservadora para medir o alcance do protesto.
Histórico de mobilizações recentes
Não é a primeira vez que o deputado do PL convoca manifestações presenciais. Em 2023, ele participou de atos em Belo Horizonte e Brasília para criticar decisões do Supremo e prestar solidariedade a presos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro. Em todos os casos, Nikolas tem utilizado a combinação de transmissões ao vivo e postagens curtas em vídeo para impulsionar a adesão de sua base.
Com as atenções voltadas à próxima concentração na Paulista, analistas de segurança alertam para o desafio das autoridades em garantir a liberdade de manifestação sem abrir espaço a eventuais excessos. O Ministério Público de São Paulo costuma despachar promotores para acompanhar protestos na avenida, avaliando condutas que possam configurar incitação à violência ou atos antidemocráticos.
Se confirmada, a manifestação convocada por Nikolas Ferreira adiciona mais um capítulo ao embate político entre Executivo, Legislativo e Judiciário – conflito que tem colocado o STF no epicentro das discussões públicas sobre o alcance dos poderes constitucionais. Observadores políticos acreditam que o tamanho do ato poderá indicar o grau de mobilização da direita no período pós-eleitoral e influenciar futuras estratégias de oposição ao governo Lula.
Com informações de Claudio Dantas
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