O ex-presidente Michel Temer divulgou nota nesta segunda-feira defendendo o desfile da Acadêmicos de Niterói, que levou à Marquês de Sapucaí um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para Temer, “a sátira política é parte da tradição do carnaval” e, como defensor da liberdade de expressão, ele disse não julgar as escolhas artísticas da escola.
A apresentação, intitulada “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, retratou a infância do petista em Pernambuco e sua trajetória até o Palácio do Planalto. Fundada há quatro anos e estreante no Grupo Especial, a agremiação passou a ser alvo de partidos de oposição, que acusam propaganda eleitoral antecipada. O Partido Novo informou que acionará a Justiça Eleitoral para pedir a inelegibilidade de Lula, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou o presidente e afirmou que ele “usa dinheiro público para fazer campanha antecipada pra ele mesmo”.
Na comissão de frente, a Acadêmicos encenou o momento em que Temer, então vice-presidente, retira a faixa presidencial de Dilma Rousseff. O episódio remete ao impeachment de 2016, que o PT classifica como “golpe”. Ainda assim, o ex-presidente argumentou que, por se tratar de um espaço de “criatividade e fantasia”, não caberia exigir rigor histórico do carnaval. Ele intitulou a nota enviada à imprensa como “Saudades da Tuiuti”, lembrando o desfile de 2018 do Paraíso do Tuiuti, que o retratou como um vampiro.
No mesmo comunicado, Temer fez críticas ao governo federal, acusando a atual gestão de adotar “ilusionismo na Esplanada”, promover irresponsabilidade fiscal, juros altos e endividamento público, além de “negar conquistas” como as reformas trabalhista, do ensino médio e da previdência. “É triste ver a troca da ponte para o futuro por uma volta ao passado”, escreveu.
Lula chegou à Sapucaí pouco depois das 20h20 de domingo (15) e assistiu ao desfile no camarote da Prefeitura do Rio, ao lado do prefeito Eduardo Paes (PSD). Apesar de orientação do Palácio do Planalto para que ministros não participassem do cortejo nem utilizassem recursos públicos, acompanharam o presidente no camarote nomes como Anielle Franco (Igualdade Racial), Alexandre Padilha (Saúde), Alexandre Silveira (Minas e Energia), Camilo Santana (Educação) e Esther Dweck (Gestão e Inovação), entre outras autoridades.
Também estiveram presentes o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), a primeira-dama Janja da Silva, a presidenta da Petrobras, Magda Chambriard, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, parlamentares do PT e do PSOL, além do ex-ministro José Dirceu.
Fonte: Jovem Pan
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