A pressão excessiva, a humilhação pública e o controle fora do horário de expediente aparecem como marca registrada nos relatos de trabalhadores que dizem ter convivido com chefes tóxicos no Reino Unido, segundo matéria publicada pelo g1.
Em uma pequena agência de relações públicas, Maya (nome fictício) descreveu que a gerente estabelecia “padrões impossíveis” e, diante de qualquer falha, soltava frases como “você é burro?” na frente de toda a equipe. O ambiente, relembra, levava colegas ao choro quase diariamente e desencadeava sucessivas licenças médicas por questões de saúde mental.
Casos semelhantes foram narrados por Josie e Hannah (nomes fictícios). A primeira contou que recebia ligações e mensagens da chefe das 7h às 22h, inclusive nos dias de folga, e chegou a ter projetos transferidos para outros funcionários. Já Hannah disse ter sido forçada a retirar um suéter em pleno frio de novembro durante um evento corporativo porque a peça era idêntica à de um convidado – situação que considerou “humilhante”.
O que diferencia o “mau chefe” do gestor tóxico
Para Ann Francke, diretora-executiva do Chartered Management Institute, é preciso separar o chefe inexperiente – promovido apenas por competência técnica – daquele que age deliberadamente sem empatia. Segundo ela, o gestor tóxico costuma:
- liderar pelo medo;
- estabelecer metas irreais;
- apropriar-se do trabalho alheio;
- sabotar colegas de forma consciente.
O resultado, alerta Francke, vai além de conflitos de personalidade: “Se você sente um nó no estômago na segunda-feira, se se esconde para evitar confrontos ou tem medo de falar em reuniões, isso é toxicidade”. Pesquisas citadas apontam que uma em cada três pessoas já pediu demissão por causa de ambientes assim.
Dicas para quem ainda não pode sair do emprego
A especialista listou cinco medidas que podem ajudar o profissional a enfrentar a situação enquanto busca alternativas:
- Compartilhar o problema com um mentor fora da linha hierárquica direta.
- Marcar reunião formal com o gestor e apresentar exemplos concretos do comportamento inadequado – de preferência em grupo, se outros colegas também forem afetados.
- Estabelecer limites pessoais e criar espaços de distanciamento fora do trabalho.
- Acionar o RH apenas se o departamento for reconhecido por tratar casos semelhantes com seriedade.
- Abrir denúncia formal quando houver abuso ou risco de dano reputacional para a empresa, ainda que esse seja um passo difícil.
Quando a ficção reflete a realidade
A tensão entre funcionário e chefe tóxico também inspirou o filme “Socorro!”, estrelado por Rachel McAdams. Em entrevistas sobre a produção, a atriz lembrou ter enfrentado um superior “particularmente ruim” em um trabalho temporário e sugeriu, quando possível, “demissão silenciosa” ou práticas de meditação para preservar a saúde mental.
Transmissão: Record
Fonte: g1
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