A realidade de quase 11 milhões de mulheres que criam filhos sem a presença de um cônjuge foi detalhada em pesquisa de mestrado da servidora pública e jornalista Mariene Ramos, vinculada ao Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Utilizando dados da Pnad Contínua de 2022, a pesquisadora analisou rendimento, escolaridade e inserção profissional das chefes de lares monoparentais no país.
Mariene, que vivenciou de perto a rotina de mães solo desde a infância no entorno do Distrito Federal, constatou que esse grupo recebe, em média, R$ 2.322 por mês — valor quase 40% inferior ao registrado entre pais com cônjuge. A investigação também mostra que somente metade das mães solo está ocupada e menos de um terço contribui para a Previdência Social, o que amplia a vulnerabilidade de longo prazo.
Precariedade e sobrecarga
Segundo o estudo, 21,9% das mães solo atuam em serviços domésticos, setor historicamente marcado por salários baixos. O percentual é quase o dobro do verificado entre mulheres com cônjuge. A escolaridade reforça essa condição: 55% não concluíram o ensino médio e apenas 13,7% terminaram o ensino superior.
Aspectos étnico-raciais também agravam a desigualdade. Mulheres negras representam 62% das chefes de domicílio sem parceiro, proporção maior que em qualquer outro arranjo familiar avaliado. Além disso, um terço dessas mães divide a casa com pessoas idosas, somando cuidados múltiplos à rotina já sobrecarregada.
Dependência de benefícios e propostas
Com dificuldade de obter renda suficiente somente pelo trabalho, 57% das mães solo recebem algum tipo de benefício social. Para reverter o cenário, Mariene defende a ampliação de vagas em creches integrais e programas de qualificação profissional, medidas que, segundo ela, poderiam garantir autonomia financeira e reduzir a desigualdade de gênero no mercado.
Contexto regional — A discussão sobre oferta de creches e inserção de mulheres no trabalho também mobiliza gestores municipais em Sergipe, que avaliam ampliar o atendimento integral como forma de facilitar a rotina de famílias chefiadas por mulheres.
Fonte: g1
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