Em artigo publicado no portal da Ordem dos Advogados do Brasil em Sergipe (OAB/SE), o secretário-geral adjunto Raphael de Azevedo F. Reis questiona se há motivos para comemorar o Mês da Mulher diante do aumento dos casos de violência contra mulheres no país.
Dados evidenciam a gravidade
Reis cita levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública que registrou 1.518 feminicídios em 2025, maior número desde a tipificação do crime. O autor lembra que o volume equivale a quase quatro assassinatos de mulheres por dia.
Outro dado apresentado é a pesquisa nacional do DataSenado, segundo a qual cerca de 3,7 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica ou familiar em 2025. Na prática, mais de 10 mil mulheres são vítimas diariamente, o que corresponde a 422 agressões por hora.
Para o dirigente da OAB/SE, o feminicídio costuma ser o estágio final de um ciclo que começa com agressões verbais, psicológicas e físicas. O cenário, observa, exige atenção permanente.
Exposição não tem contido agressões
O artigo recorda o caso de uma mulher brutalmente agredida em via pública no município de Estância, em Sergipe, episódio que não resultou em feminicídio, mas expôs a perda de constrangimento social diante de atos violentos. Mesmo sob constante vigilância de câmeras e celulares, aponta Reis, agressores demonstram não temer serem vistos ou responsabilizados.
Referindo-se à obra “Vigiar e Punir”, de Michel Foucault, ele observa que a possibilidade de exposição deveria desencorajar a violência, o que não tem ocorrido em situações como a registrada no interior sergipano.
Papel dos homens e ações institucionais
Reis defende que o enfrentamento ao problema não se limita às mulheres. Como a maioria das agressões é cometida por homens, afirma, é essencial que eles repudiem comportamentos violentos e intervenham sempre que presenciarem agressões.
Nesse contexto, a OAB/SE aprovou a Resolução nº 04/2026, que estabelece diretrizes para promover a equidade de gênero, prevenir a violência contra a mulher e fortalecer a atuação feminina na advocacia sergipana. O dirigente ressalta que o compromisso das instituições deve ser permanente.
O secretário-geral adjunto conclui que o mês de março precisa ser mais que um período de homenagem: deve impulsionar reflexão coletiva, pois enquanto milhares de mulheres continuarem sendo agredidas diariamente, o discurso de igualdade permanecerá incompleto.
Fonte: OAB/SE
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