Irã cogita pedágio a navios em rota de 20% do petróleo
TEERÃ, Irã – O Parlamento iraniano analisa um projeto que autoriza a cobrança de taxas de todas as embarcações que cruzam o Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde transita cerca de um quinto do petróleo e do gás liquefeito vendido no planeta. A proposta surge em meio às tensões regionais e pode redesenhar o fluxo marítimo global de energia.
- Em resumo: Teerã quer transformar domínio geográfico em fonte de receita e instrumento de pressão contra países que aplicam sanções.
Por que a tarifa assusta o mercado?
A via tem apenas 40 km na sua parte mais estreita e concentra superpetroleiros que abastecem economias da Ásia à Europa. Qualquer custo extra pode ser repassado ao consumidor na bomba, elevando a inflação global. Segundo dados do Banco Central, o preço do barril reage imediatamente a gargalos logísticos.
Outro ponto sensível é a segurança: desde o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, navios suspeitos de ligação com adversários foram temporariamente impedidos de passar, enviando prêmios de risco marítimo para o patamar mais alto em cinco anos.
“Ao usar a posição estratégica do Estreito de Ormuz, podemos sancionar o Ocidente e impedir que seus navios passem por essa via”, declarou o vice-presidente Mohammad Mokhber à agência Mehr.
Contexto histórico e possíveis efeitos
O Irã já cobra pequenas taxas de serviços de busca e salvamento, mas o pedágio proposto teria caráter político. Especialistas recordam que o país não é signatário da Convenção da ONU sobre o Direito do Mar, o que lhe dá margem para regras próprias enquanto mantém aberto o canal internacional.
Para companhias de transporte, cada dólar adicional por tonelada tem impacto direto no frete. Analistas da Organização Marítima Internacional estimam que um bloqueio completo de Ormuz poderia retirar até 17,2 milhões de barris por dia do mercado, pressionando a OPEP e forçando rotas alternativas de 5.000 km pelo Cabo da Boa Esperança.
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Crédito da imagem: Divulgação / AFP
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