NOVA YORK, EUA – A plataforma de “mercados de previsão” Kalshi, cofundada pela bilionária mineira Luana Lopes Lara, enfrenta uma avalanche de ações judiciais estaduais e uma cobrança coletiva de US$ 54 milhões, acendendo o alerta para quem investe ou aposta nesses contratos digitais.
- Em resumo: Acusações envolvem apostas sobre guerras, eleições e esportes, classificadas como jogo ilegal em vários Estados americanos.
Por que as apostas da Kalshi viraram alvo?
A Kalshi opera contratos do tipo “sim ou não”, permitindo que usuários apostem entre si no resultado de eventos futuros. Esse formato, enquadrado como negociação de derivativos pela Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), movimentou mais de US$ 44 bilhões em 2025. Críticos alegam que, na prática, trata-se de jogo de azar disfarçado de bolsa financeira, fugindo de regras estaduais mais duras e de tributação específica.
O estopim veio quando contratos sobre a possível deposição do aiatolá Ali Khamenei foram cancelados. Apostadores acusam a empresa de ter aceitado ordens mesmo após rumores sobre a morte do líder iraniano, gerando o processo coletivo que pede o ressarcimento de US$ 54 milhões.
“Basicamente, as apostas em quase tudo foram liberadas e se transformaram em algo muito macabro, como a morte de um chefe de Estado”, criticou Craig Holman, da ONG Public Citizen.
Impacto no Brasil e próximos passos
No Brasil, usuários já acessam a Kalshi por meio de criptomoedas e cartões internacionais, segundo a Folha de S. Paulo. Bets nacionais, que pagaram R$ 30 milhões de outorga, pressionam o Ministério da Fazenda para barrar plataformas estrangeiras sem sede no país. Em resposta, Luana Lopes Lara declarou ao Valor Econômico que estuda abrir um escritório brasileiro para cumprir futuras exigências locais.
Além de disputas sobre quem deve fiscalizar a atividade — Estados ou governo federal americano —, um projeto de lei no Congresso dos EUA quer proibir servidores públicos de apostar quando tiverem informação privilegiada. A Kalshi reforça que já veda esse tipo de negociação e que reembolsou “milhões de dólares” para evitar perdas nos contratos contestados.
Mesmo sob fogo cruzado, a startup não recua da expansão: busca novos mercados na América Latina enquanto tenta provar nos tribunais que seus “contratos de eventos” são instrumentos financeiros legítimos, não apostas.
Crédito da imagem: Divulgação / Getty Images via BBC
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