ARACAJU/SE – A Secretaria de Estado da Saúde (SES) acendeu um sinal amarelo: enquanto 934 mulheres já receberam diagnóstico de câncer invasivo do colo do útero entre 2021 e 2025, apenas 66,14% do público-alvo está imunizado contra o HPV, vírus responsável por praticamente todos os casos da doença.
- Em resumo: Cobertura vacinal abaixo de 80% compromete a meta de erradicação do câncer de colo do útero em Sergipe.
Por que 66% ainda não basta
O Ministério da Saúde indica pelo menos 80% de cobertura para frear a circulação do HPV. No entanto, mitos sobre incentivo à vida sexual e falta de informação ainda afastam pais e responsáveis dos postos de vacinação. As diretrizes oficiais podem ser consultadas nas orientações do Ministério da Saúde.
Em Sergipe, a estratégia de ampliar temporariamente a idade para 15 a 19 anos tenta reverter o quadro, mas o relógio corre: quanto mais tarde o adolescente recebe o imunizante, menor sua proteção antes do primeiro contato sexual.
“A vacina é um presente de saúde para o futuro. Não podemos deixar o estigma ser maior que a prevenção”, alerta o infectologista Marco Aurélio.
Papanicolau anual: a outra linha de defesa
Mesmo com a vacina, o rastreio continua fundamental. Mulheres e pessoas com útero a partir de 25 anos devem realizar o Papanicolau anualmente; após dois exames normais, o intervalo passa a ser trienal.
Quando o resultado indica alteração, o Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism) entra em cena. De 2025 até fevereiro deste ano, o Caism fez 9.128 consultas especializadas e identificou 87 casos de câncer, além de remover lesões pré-cancerígenas usando técnicas de alta frequência, conização ou laser.
Para casos confirmados, o tratamento segue protocolos rígidos nas Unacons do Hospital do Câncer de Sergipe, HU/UFS e Hospital de Cirurgia, reduzindo o tempo entre diagnóstico e início da terapia.
Crédito da imagem: Divulgação / SES
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