Brasília (DF) – Dois dias depois de conquistar 67 votos favoráveis no Senado, o projeto que enquadra a misoginia como crime de preconceito já tem rota traçada na Câmara, sob forte pressão da relatora, senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), que afirma sofrer ataques online “24 horas por dia”.
- Em resumo: texto prevê até cinco anos de prisão para quem praticar ódio contra mulheres.
Da tribuna às redes: o custo de defender o PL
A parlamentar relatou que, desde a votação, ela e a família decidiram abandonar as redes sociais diante da onda de xingamentos. Mesmo assim, promete acelerar as negociações com o presidente da Comissão responsável na Câmara.
Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indica que crimes motivados por gênero cresceram nos últimos cinco anos, reforçando a urgência do debate.
“Nós, mulheres, somos xingadas 24 horas por dia; minha família já não acessa mais a internet”, desabafou Soraya Thronicke.
O que muda se o texto virar lei
Ao incluir a misoginia no rol de crimes de preconceito, o PL equipara o ódio contra mulheres ao racismo. A punição prevista varia de dois a cinco anos de prisão, além de multa, e poderá ser agravada se houver divulgação em massa nas redes.
Durante a sessão, alguns senadores que tentaram flexibilizar o texto acabaram votando “sim” para não ficarem isolados, relata a relatora. Agora, a estratégia é evitar emendas que abram brechas judiciais e garantir votação rápida em plenário.
No horizonte, organizações de defesa dos direitos femininos veem a proposta como ferramenta para coibir ameaças recorrentes a jornalistas, políticas e cidadãs anônimas.
Você considera a medida suficiente para conter os discursos de ódio contra mulheres? Acompanhe a cobertura completa na editoria de Política.
Crédito da imagem: Divulgação
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