BRASÍLIA – Em vídeo divulgado na noite de terça-feira, 31, o ex-ministro dos Direitos Humanos Silvio Almeida declarou-se inocente da acusação de importunação sexual apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e classificou como “violenta” a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de demiti-lo apenas 24 horas após a repercussão do caso.
- Em resumo: Almeida diz que a denúncia usa bandeiras femininas de forma “distorcida” e denuncia racismo estrutural.
Críticas à demissão-relâmpago e denúncia de racismo
No pronunciamento de quase seis minutos, o ex-ministro ressaltou que o processo corre em sigilo e que só irá se manifestar nos autos. Ele argumenta que, se fosse “um homem poderoso”, não teria perdido o cargo em um dia, sem direito de defesa, e atribui o episódio a estereótipos que associam homens negros à violência — problema que, segundo ele, exige debate público com base em dados da Câmara Federal e políticas de inclusão.
Para Almeida, o episódio demonstra como pautas legítimas, como a luta contra a violência de gênero, podem ser instrumentalizadas politicamente.
“A forma violenta e injusta com que eu fui retirado da vida pública se apoiou na visão de que homens negros são brutalizados e descontrolados”, afirmou o ex-ministro.
O que diz a PGR e a reação de Anielle Franco
Em 21 de março, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, enviou ao Supremo Tribunal Federal denúncia por importunação sexual contra Almeida, com relatoria do ministro André Mendonça. A representação sustenta haver indícios suficientes no relato da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco.
Pelo X (antigo Twitter), Anielle considerou o avanço da denúncia uma vitória de mulheres que sofrem violência e um incentivo para que “não silenciem seus agressores”. Enquanto isso, a investigação segue sob escrutínio da Polícia Federal.
Almeida concluiu que “acusações irresponsáveis” só serão respondidas na Justiça, onde espera “reestabelecer a verdade”.
Crédito da imagem: Divulgação
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