O Governo de Sergipe intensificou, nesta quinta-feira, 28/05, o acompanhamento dos indicadores climáticos que apontam para a formação de um novo episódio de El Niño entre maio e julho de 2026. A Gerência de Meteorologia da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Sustentabilidade e Ações Climáticas (Semac) alerta para a necessidade de cautela, mas reforça que as primeiras projeções sugerem um fenômeno potencialmente forte, capaz de se estender até o início de 2027.
A meteorologista da Semac, Wanda Tathyana de Castro, explica que as últimas leituras do oceano Pacífico Equatorial mostram aumento consistente da temperatura da superfície do mar, típico sinal de transição para o El Niño. Embora os modelos internacionais apontem grande probabilidade de um evento de forte a muito forte, a especialista pondera que a intensidade exata só poderá ser confirmada com a evolução dos próximos meses.
“O monitoramento é essencial para que o Estado e a população possam se preparar com antecedência. Neste momento, a recomendação é acompanhar os boletins climáticos e adotar medidas preventivas, principalmente para minimizar possíveis impactos sobre os recursos hídricos e a produção agrícola”
Historicamente, o El Niño provoca redução de chuvas no Nordeste e aumento das precipitações no Sul do País. Em Sergipe, os reflexos costumam ser sentidas na forma de temperaturas mais altas, períodos prolongados de estiagem e queda no nível dos reservatórios. Por isso, a Semac adianta que manterá divulgação periódica de boletins para orientar gestores municipais, agricultores e a população em geral.
No campo da Defesa Civil, o subsecretário adjunto coronel Silvio Prado informou que todos os coordenadores municipais já foram alertados sobre a possibilidade de seca acentuada no segundo semestre.
“O Governo do Estado está se preparando para ampliar a operação carro-pipa e a assistência humanitária aos municípios afetados. A medida será adotada assim que novos decretos de situação de emergência forem emitidos”, declarou o coronel.
Entre os prejuízos previstos estão a redução do nível de açudes, perdas agrícolas e dificuldades para a criação de animais. Para mitigar esses efeitos, técnicos da Semac recomendam uso consciente da água, manutenção de cisternas, proteção do solo com cobertura vegetal e diversificação de cultivos por espécies mais resistentes à seca.
Caso o cenário mais grave se confirme, a gestão estadual pretende articular, ainda em 2026, um plano de contingência envolvendo Secretaria da Agricultura, Companhia de Desenvolvimento Regional e bancos públicos, a fim de facilitar acesso a crédito emergencial e orientar possíveis renegociações de dívidas rurais.
Enquanto isso, a população pode acompanhar boletins climáticos atualizados diretamente nos canais oficiais do governo, onde serão divulgados novos alertas e orientações práticas. Para Wanda Tathyana, manter a sociedade bem-informada é o primeiro passo para enfrentar um evento que, apesar de natural e cíclico, pode trazer impactos expressivos aos sergipanos se não houver preparação.
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