A economia sergipana ganhou destaque nacional na quinta-feira, 28 de maio de 2026, quando a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, confirmou um pacote de investimentos de aproximadamente R$ 60 bilhões no estado. O anúncio antecipa a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, marcada para a sexta-feira, 29 de maio, e projeta elevar de 16% para 31% a participação do Nordeste na oferta de gás natural até 2035.
Segundo Chambriard, o montante será aplicado, principalmente, na implantação das plataformas Sergipe Águas Profundas (Seap) 1 e 2 e em um gasoduto que ligará os campos marítimos à costa sergipana. Cada plataforma terá capacidade de processar 100 mil barris de petróleo por dia e, juntas, poderão produzir 22 milhões de metros cúbicos de gás diariamente, dos quais 18 milhões serão escoados pelo novo duto.
“É uma novidade que viabiliza um projeto grandioso como esse, de valor inestimável para a produção de óleo e gás do Nordeste e para o país como um todo”, disse Magda Chambriard.
As unidades contam com uma inovação tecnológica: cada navio-plataforma possuirá sua própria Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) embarcada, algo inédito na trajetória da companhia. A construção dos cascos ficará a cargo da holandesa SBM Offshore, vencedora da licitação que prevê operação das plataformas por seis anos e meio antes da transferência definitiva à Petrobras. O cronograma indica início da extração de óleo em 2030 e exportação de gás a partir de 2031.
Outro pilar do pacote é a reabertura da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen), em Laranjeiras. A unidade deverá responder por 7% da demanda nacional desse insumo agrícola, contribuindo para a meta do governo federal de produzir 35% dos fertilizantes consumidos no país.
“O Brasil não pode ser importador de 90% do fertilizante de que a nossa agricultura precisa. O Brasil precisa ser dono do seu nariz e produzir os fertilizantes”, afirmou o presidente Lula durante visita recente à unidade de Camaçari, na Bahia.
A estatal também confirmou o descomissionamento de 26 plataformas em águas rasas que já cumpriram seu ciclo produtivo, reforçando o compromisso ambiental no descarte responsável dessas estruturas que operam há mais de meio século.
Somando todas as frentes – Seap 1 e 2, gasoduto, reabertura da Fafen e retirada das plataformas antigas – os investimentos previstos em Sergipe ultrapassam R$ 72,5 bilhões e podem gerar cerca de 28 mil empregos diretos e indiretos, de acordo com projeções da Petrobras. Para a economia local, trata-se de uma injeção de recursos capaz de impulsionar cadeias de serviços, logística e indústria naval, além de consolidar o estado como polo estratégico na expansão do gás natural brasileiro.
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