As redes municipais de ensino em Sergipe têm se destacado na implementação de estratégias voltadas para o letramento e a linguagem na educação infantil. Um relatório recente, intitulado “Percepções e Desafios da Educação Infantil Pública”, aponta que 76% dos municípios sergipanos adotam práticas voltadas à cultura escrita, enquanto apenas 48% utilizam estratégias de letramento matemático.
Divulgado no dia 25 de maio de 2026, o estudo, realizado pelo Itaú Social em parceria com a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), revela uma análise abrangente do cenário da educação infantil em todo o Brasil. A pesquisa contou com a participação de 2.712 redes municipais de ensino, representando 49% do total do país, com uma cobertura que variou de 33% a 62% nas diferentes regiões.
Um dado alarmante do relatório é que 20% das secretarias municipais de educação não possuem iniciativas para promover o letramento na primeira infância. Além disso, 23% das prefeituras não conseguem informar se as unidades conveniadas de pré-escola implementam essas estratégias.
A gerente de Desenvolvimento e Soluções do Itaú Social, Sonia Dias, enfatiza a importância de um acompanhamento rigoroso das práticas educacionais. “Não quer dizer que, no município, estão criando duas redes de ensino paralelas. Mas, torna-se ainda mais importante o papel das secretarias de educação no acompanhamento do atendimento que é oferecido pelas redes conveniadas”, afirmou.
Em relação ao apoio que as Secretarias Municipais de Educação oferecem, 62% das redes promovem o contato das crianças com a natureza e o meio ambiente. Além disso, 58% oferecem formação continuada focada no desenvolvimento infantil, enquanto 56% realizam ações para garantir o acesso e a permanência dos alunos nas escolas.
Luiz Miguel Martins Garcia, presidente nacional da Undime, destaca a importância da educação infantil: “As redes municipais precisam planejar políticas públicas para a primeira infância que considerem a escuta da comunidade escolar e o compromisso com a educação de qualidade”.
O estudo também revelou que 67% das redes municipais recebem apoio das secretarias estaduais de educação, especialmente em formações e suporte técnico. No entanto, um terço dos municípios não recebe qualquer assistência, sendo que as principais demandas incluem apoio financeiro e doação ou empréstimo de materiais didáticos.
Sonia Dias ressalta que é fundamental que estados e municípios trabalhem conjuntamente para reduzir as desigualdades regionais e atender às necessidades de municípios menores e mais vulneráveis. Além disso, a pesquisa evidencia a necessidade de um planejamento eficaz para a transição das crianças da pré-escola para o ensino fundamental, uma fase que ainda apresenta fragilidades.
O relatório ressalta que 17% das redes municipais não realizam um planejamento articulado entre a pré-escola e o 1º ano do ensino fundamental, destacando a importância de ações que facilitem essa transição.
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