Uma área de 244 hectares vai mudar a vida de 20 famílias no Baixo São Francisco. A antiga Fazenda Gameleira vira modelo inédito de reforma fundiária no estado.
O município de Pacatuba, no Baixo São Francisco, sediou nesta sexta-feira, 5 de junho de 2026, a solenidade de implantação da primeira Colônia Agrícola Estadual de Sergipe. A iniciativa, instalada na antiga Fazenda Gameleira, reserva 244 hectares para o reassentamento de 20 famílias de agricultores familiares e foi apresentada como modelo pioneiro de organização fundiária no estado.
O ato contou com a presença do pré-candidato ao Senado André Moura, da deputada federal Yandra Moura, da prefeita Iara Martins, do secretário estadual da Agricultura Zeca da Silva, além de vereadores e produtores rurais da região. Autoridades e beneficiários receberam os Cadastros da Agricultura Familiar (CAF) e os termos de adesão ao programa Fomento Rural, que garante acesso a crédito, assistência técnica e outras políticas públicas voltadas à ampliação da produção.
“Quem produz alimento precisa ter terra, segurança e oportunidade. Hoje estamos vendo isso acontecer na prática”, declarou André Moura durante a cerimônia.
A área agora regularizada pertencia ao Governo de Sergipe e, antes da aquisição, era destinada à criação da reserva indígena Fulkaxó. A partir da reestruturação, cada família recebeu um lote demarcado, documentação definitiva e orientação sobre boas práticas agrícolas. O programa Fomento Rural prevê investimento inicial para custeio de insumos, compra de equipamentos e qualificação produtiva.
Para a prefeita Iara Martins, a entrega dos lotes consolida “um passo decisivo para fixar o homem e a mulher no campo” e pode estimular novos negócios locais, como feiras livres e agroindústrias de pequeno porte. O secretário Zeca da Silva reforçou que técnicos da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro) acompanharão as famílias nos primeiros 24 meses.
“Não basta apenas entregar a terra. É preciso garantir condições para que essas famílias possam produzir, crescer e prosperar”, completou André Moura ao comentar o suporte financeiro previsto.
Com a documentação em mãos, os assentados poderão acessar linhas de crédito do Pronaf, aderir a programas de compra institucional de alimentos e participar de cursos do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). A expectativa é que, ainda em 2026, a produção de milho, feijão e hortaliças das novas glebas abasteça escolas estaduais e mercados da região.
Produtores presentes classificaram a medida como histórica. Para o agricultor José Carlos dos Santos, que cultivava em área arrendada, a posse definitiva “traz tranquilidade para investir em irrigação e ampliar a lavoura”. Já Maria Helena Sobral prevê diversificar a produção com fruticultura.
O Governo do Estado estuda replicar o modelo em outras regiões, priorizando comunidades que aguardam regularização fundiária. Segundo a Secretaria da Agricultura, mapeamentos preliminares identificaram áreas disponíveis nos territórios do Alto Sertão e Sul Sergipano.
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