Junho alerta para a saúde mental masculina em Sergipe. Criados para 'ser forte', muitos homens ignoram sinais de sofrimento — e o resultado pode ser fatal.
Junho é um mês dedicado à conscientização sobre a saúde mental masculina, um tema que ganha destaque devido aos alarmantes índices de adoecimento emocional e suicídio entre homens. Especialistas ressaltam que fatores culturais e sociais ainda dificultam que muitos homens reconheçam suas fragilidades e busquem ajuda profissional.
Apesar dos avanços nas discussões sobre o tema, o estigma em torno do sofrimento psíquico masculino ainda é um desafio. Desde a infância, muitos homens são incentivados a reprimir emoções e a demonstrar força diante das adversidades, o que pode agravar quadros de ansiedade, depressão, abuso de substâncias e outros transtornos mentais.
A psicóloga e pesquisadora Adriana Meneses, especialista em Saúde Mental do Trabalhador, observa que essa realidade é evidente tanto no ambiente profissional quanto nas relações sociais.
“Minha trajetória profissional sempre esteve muito próxima de universos predominantemente masculinos. O que percebo com frequência é que muitos homens conseguem falar sobre trabalho e responsabilidades, mas têm dificuldade para discutir medo, tristeza e insegurança,”
afirma.Segundo a especialista, a crença de que homens precisam ser fortes o tempo todo é um dos principais obstáculos à promoção da saúde mental masculina.
“A masculinidade é associada à resistência e à capacidade de suportar tudo sozinho. O problema é que ninguém suporta tudo. Quando um homem aprende que não pode demonstrar vulnerabilidade, ele não deixa de sentir, apenas deixa de expressar,”
explica.O sofrimento emocional pode se manifestar de várias formas. A dificuldade de verbalizar emoções não significa ausência de dor. Especialistas alertam que sentimentos reprimidos frequentemente surgem através de comportamentos que podem não ser reconhecidos como sinais de adoecimento. Irritabilidade, explosões de raiva, isolamento social, abuso de álcool e excesso de trabalho são alguns exemplos.
Dados do Ministério da Saúde revelam que a maioria das mortes por suicídio no Brasil ocorre entre homens, que costumam buscar ajuda apenas quando o sofrimento atinge níveis críticos. Para Adriana Meneses, isso evidencia a urgência de ampliar o debate sobre masculinidade e saúde mental.
“Precisamos questionar a ideia de que pedir ajuda é sinal de fraqueza. Reconhecer limites e buscar apoio são atitudes de responsabilidade. A vulnerabilidade pode ser a maior demonstração de coragem,”
destaca.O adoecimento emocional masculino não afeta apenas o indivíduo, mas também suas relações familiares e sociais. Homens que não encontram espaços seguros para expressar suas emoções podem ter dificuldades nos relacionamentos e maior propensão a conflitos. A campanha de conscientização de junho busca incentivar uma mudança cultural e ampliar o acesso ao cuidado psicológico.
Adriana Meneses conclui que a transformação começa na educação sobre emoções:
“Talvez esteja na hora de substituir a frase ‘homem não chora’ por ‘homem sente’. E justamente porque sente, também precisa ser cuidado. Falar sobre saúde mental masculina é falar sobre vidas que podem ser preservadas,”
finaliza. Buscar ajuda profissional e construir redes de apoio são essenciais para prevenir o adoecimento e promover qualidade de vida, pois cuidar da saúde mental é uma necessidade humana.
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