Candidatos lesados em Aquidabã e Porto da Folha podem ter justiça. O MPSE lançou operação para desmantelar organização criminosa que fraudava concursos públicos na região.
O Ministério Público de Sergipe (MPSE) deflagrou, nesta quarta-feira, 17, a Operação Gabarito III, terceiro desdobramento de uma investigação que apura suspeitas de fraudes estruturadas em concursos públicos nos municípios de Aquidabã e Porto da Folha. A ofensiva é conduzida pela 9ª Procuradoria de Justiça em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
A iniciativa faz parte da Operação Convergência Nacional, articulação que reúne Ministérios Públicos estaduais e forças de segurança de todo o país para desmantelar organizações criminosas de alcance interestadual. Em Sergipe, a ação recebeu apoio operacional da Corregedoria da Polícia Civil.
Nesta etapa, os agentes cumpriram mandado judicial em um endereço localizado em Aquidabã. O objetivo foi recolher documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais que possam comprovar a existência de um esquema voltado à manipulação de certames. Todo o conteúdo apreendido passará por perícia, e os investigadores pretendem cruzar dados para identificar possíveis novos envolvidos.
A primeira fase da Operação Gabarito foi realizada em junho de 2025 e já havia mirado endereços em cidades sergipanas e baianas. Na ocasião, mandados de busca e apreensão foram cumpridos para coletar provas preliminares. Seis meses depois, em dezembro de 2025, o MPSE avançou com a Operação Gabarito II, aprofundando a investigação e ampliando o mapeamento de suspeitos ligados ao esquema.
As apurações, segundo o MPSE, indicam que a suposta organização criminosa atuava de forma estruturada, visando burlar as etapas dos concursos e garantir aprovações fraudulentas. Essa conduta, além de lesar a Administração Pública, afeta candidatos que se dedicam de forma regular e abala a confiança da sociedade no sistema de seleção para cargos públicos.
“Todo o material obtido será analisado tecnicamente para esclarecer a extensão dos fatos e permitir a responsabilização de eventuais autores”, informou o Gaeco.
O procedimento investigatório transcorre sob sigilo, respeitando as garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Caso se confirmem as suspeitas, os envolvidos poderão responder por crimes como fraude em certame de interesse público, associação criminosa e corrupção ativa ou passiva.
Após a conclusão das análises, o MPSE deverá decidir sobre o oferecimento de denúncias à Justiça e, se necessário, pedir novas diligências. Enquanto isso, os concursos sob suspeita seguem em avaliação, e não está descartada a possibilidade de anulação de etapas ou até mesmo de todo o processo seletivo, caso seja constatado que a lisura foi comprometida.
O MPSE reforça que denúncias anônimas sobre irregularidades em concursos e outras atividades da Administração Pública podem ser encaminhadas pelos canais oficiais do órgão, contribuindo para o avanço das investigações e a proteção do interesse coletivo.
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