João Profeta, o João Buiú do Porto d'Areia, deixou sua marca na pirotecnia e na cultura junina de Estância. Uma história registrada e que conecta tradição, família e festa no coração do povo estanciano.
João Profeta, conhecido também como João Buiú, foi um notável fogueteiro e pescador do Porto d’Areia, em Estância. Sua importância na cena cultural da cidade é inegável, especialmente na tradição dos festejos juninos. O nome completo dele é João Profeta dos Santos, e sua trajetória foi registrada na obra “Estância Secular”, destacando sua contribuição para a pirotecnia local.
O sobrenome Profeta remonta a uma antiga linhagem estanciana, já presente em documentos desde o século XIX, o que indica uma conexão familiar significativa com a história da cidade. João Profeta se juntou a outros nomes relevantes da pirotecnia, como João da Bárbara, Nylo Cotias e João Ribeiro, todos contribuindo para a rica tradição fogueteira que caracteriza Estância.
O mestre fogueteiro era um artista do fogo, especializado na confecção de barcos de fogo e busca-pés. Em Estância, existiam áreas específicas dedicadas à fabricação de fogos, como Cachoeira, Rua Nova, e Porto d’Areia, onde João Profeta tinha sua tenda de fogo. Ele também atuou na Rua das Alagoas, onde sua presença era marcante durante os festejos juninos.
No começo da década de 1940, ele organizou um grupo para convidar as pessoas aos festejos, aproveitando os repiques dos sinos da Matriz que ecoavam pela cidade. Em 1933, ele se destacou ao soltar na Rua Nova um barco de fogo chamado “Zepelim”, que se tornou um marco em sua carreira. Sua arte pirotécnica era reconhecida por sua beleza e criatividade.
Durante os anos 1950, João Profeta também se envolveu nas batucadas, muito populares na Cidade Jardim. Ele planejava uma apresentação especial, onde um avião de fogo cruzaria as ruas, acompanhado de busca-pés. Sua criatividade se refletia em cada evento que organizava, sempre buscando inovar nas festividades.
Pesquisas sobre sua formação familiar revelaram que ele nasceu em 1897 e era filho de Maria Cardoso dos Santos e Honório Profeta dos Santos. A família Profeta também contava com outros fogueteiros, como Salvador Profeta, que era conhecido por criar busca-pés especiais. Salvador, sobrinho de João, seguia os passos do tio na arte da pirotecnia.
Em 1960, João Profeta ainda era uma figura proeminente na cena fogueteira estanciana, competindo com outros mestres conhecidos. A cidade se preparava para os festejos juninos, e sua presença era fundamental para a celebração. Apesar de não se saber a data exata de seu falecimento, é certo que ele deixou um legado que perdurou por mais de 30 anos, sendo considerado um verdadeiro bruxo da pirotecnia.
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