Procuradores inspecionaram o Hospital Universitário de Lagarto e encontraram problemas sérios nas condições de trabalho. A unidade atende toda a região Centro-Sul de Sergipe.
Uma força-tarefa formada pelo Ministério Público do Trabalho em Sergipe (MPT-SE) e pelo Ministério Público Federal (MPF) esteve, nesta quarta-feira (17), no Hospital Universitário de Lagarto (HUL/UFS) para avaliar as condições estruturais e o ambiente de trabalho da unidade que atende pacientes de toda a região Centro-Sul do estado. A comitiva contou com a vice-procuradora-chefa do MPT-SE, Clarisse Farias Malta, o procurador da República Ígor Miranda, o perito Jorge Alvarez, além de representantes do hospital, da HU Brasil — empresa gestora do HUL —, do Hospital do Amor e do Sindicato dos Trabalhadores de Empresas Públicas de Serviços Hospitalares de Sergipe (Sindserh/SE).
Durante a vistoria, foram percorridos setores de emergência, enfermarias, UTI, refeitórios e alojamentos de profissionais. A equipe ouviu trabalhadores que relataram déficit de pessoal, jornadas prolongadas e pressão psicológica diante da alta demanda de atendimentos. Também foram observados afastamentos frequentes por adoecimento, inclusive problemas de saúde mental.
“Trabalhadores relataram pressão constante, elevada demanda de atendimento e afastamentos frequentes de colegas por problemas de saúde, inclusive relacionados à saúde mental”, afirmou a procuradora Clarisse Farias Malta.
Além da sobrecarga de trabalho, o grupo constatou problemas de infraestrutura, como área de isolamento improvisada, colchões rasgados nos dormitórios e espaços de refeição inadequados. O MPF já havia expedido recomendações anteriores ao HUL/UFS e à HU Brasil para corrigir falhas em escalas médicas, ampliar leitos, implantar controle de frequência biométrico e reorganizar fluxos de atendimento.
Ao término da inspeção, os representantes do Ministério Público se reuniram com o reitor da Universidade Federal de Sergipe, André Maurício Souza, e com dirigentes do hospital e da HU Brasil. O objetivo foi apresentar os pontos críticos identificados e compreender quais medidas a administração vem adotando para diminuir riscos ocupacionais e melhorar a assistência.
“Chamou atenção a ausência de dados consolidados sobre adoecimento mental, especialmente com recorte por setor e categoria profissional, bem como a falta de elementos que permitam avaliar os impactos da atual organização do trabalho sobre a saúde dos trabalhadores”, destacou Clarisse Malta.
De acordo com o MPT-SE, a diligência faz parte de procedimentos que apuram condições de trabalho, dimensionamento de equipes e riscos psicossociais no HUL/UFS. Os dados coletados nesta visita serão analisados em conjunto com laudos técnicos, depoimentos e demais documentos já anexados aos autos para definir as providências cabíveis. Entre as possíveis medidas estão termos de ajuste de conduta, recomendações adicionais ou, se necessário, ações judiciais para assegurar condições adequadas aos profissionais de saúde e garantir a qualidade do atendimento prestado à população.
O Hospital Universitário de Lagarto funciona em regime de portas abertas e, segundo sua direção, atende a um grande volume de pacientes, o que contribui para a pressão sobre as equipes. A HU Brasil e a administração do HUL informaram, durante a reunião, que vêm trabalhando em novos concursos, readequação de escalas e melhorias na infraestrutura. Os órgãos de controle aguardam a apresentação de um plano detalhado com prazos e metas concretas para acompanhar o andamento das correções.
A inspeção reforça a importância da prevenção ao adoecimento ocupacional e da garantia de condições dignas de trabalho para quem está na linha de frente do atendimento hospitalar em Sergipe.
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