A política de Santa Rosa de Lima viveu momentos de tensão na segunda-feira, 29/06, quando o ex-prefeito Janilson Alves deixou o gabinete para cumprir a decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe (TRE-SE). O órgão confirmou a cassação do diploma dele e da vice-prefeita Maria Rozângela, conhecida como Bojota, alegando irregularidades na eleição municipal.
Com a medida, os dois também foram declarados inelegíveis pelo período de oito anos. A sentença criou vacância simultânea nos cargos de prefeito e vice, cenário previsto na legislação eleitoral como motivo para posse imediata do presidente da Câmara de Vereadores. Assim, o vereador Geraldo Gonzaga passou a responder interinamente pelo Executivo local.
O afastamento de Alves encerra uma gestão que se aproximava da reta final. Auxiliares próximos acompanharam a saída do ex-prefeito, que recolheu pertences pessoais e se despediu de servidores. Em nota curta distribuída à imprensa, ele disse que respeita a Justiça, mas pretende “analisar os próximos passos” com sua defesa. O comunicado não detalha se haverá recurso.
Já no primeiro ato como prefeito em exercício, Geraldo Gonzaga informou que manterá os serviços essenciais sem mudanças bruscas. Ele reforçou que seu compromisso principal é garantir a continuidade da máquina pública até a escolha definitiva de novos gestores. Gonzaga assumiu sob olhar atento de vereadores, secretários e representantes de segmentos sociais que lotaram o plenário da Câmara.
O TRE-SE ainda vai publicar o calendário para eleição suplementar. Pelas regras, o pleito deverá ocorrer em até 90 dias após a comunicação oficial, mas datas só serão conhecidas depois de análise do tribunal e das condições logísticas. Durante esse intervalo, permanece a gestão interina do Legislativo municipal.
Moradores ouvidos na porta da Prefeitura demonstraram surpresa com a rapidez dos acontecimentos, porém sinalizaram expectativa de estabilidade. Comerciantes relatam preocupação com possíveis impactos em contratos de obras e fornecimento de merenda escolar, enquanto servidores aguardam orientações sobre rotinas administrativas.
Especialistas em direito eleitoral explicam que a cassação de diploma difere da perda de mandato por decisão da Câmara; neste caso, a sanção parte da Justiça e torna automaticamente inelegível o agente público condenado. Se confirmada em instâncias superiores, a penalidade impede Alves e Bojota de disputar cargos até 2034.
O episódio muda o tabuleiro político e reaquece conversas sobre alianças no município de pouco mais de 4.300 habitantes, distante 78 km de Aracaju. Lideranças locais já discutem possíveis nomes para concorrer ao comando da cidade quando o novo pleito for marcado. Até lá, Santa Rosa de Lima seguirá sob administração provisória, aguardando as próximas definições da Justiça Eleitoral.
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