A Polícia Militar de Sergipe retomou, na terça-feira (30), as ações do Programa Brasil Contra o Crime Organizado, coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). O trabalho voltou a ganhar força logo após o encerramento dos festejos juninos, quando o fluxo de veículos aumenta nas principais rodovias que ligam o estado aos vizinhos Bahia e Alagoas. A estratégia é prevenir a circulação de armas, drogas e outros itens ilícitos, reforçando a sensação de segurança para quem transita pelos corredores de entrada e saída do território sergipano.
Lançado pelo Governo Federal, o programa tem quatro eixos centrais: enfraquecer financeiramente as facções criminosas, retomar o controle do sistema prisional, aprimorar as investigações de homicídios e combater o tráfico e o mercado ilegal de armas. Com essa estrutura, o plano busca integrar esforços de diferentes corporações estaduais e federais, criando um cinturão de proteção em pontos considerados sensíveis para o crime organizado.
Em Sergipe, os postos de fiscalização ficaram concentrados em três frentes. No norte do estado, o 2º e o 8º Batalhões atuaram em Neópolis, na divisa com Alagoas, área cortada por rotas fluviais e rodoviárias. Já no agreste, o 3º Batalhão reforçou as barreiras em Carira, município que faz limite com a Bahia e serve de entroncamento para rotas de transporte de carga. No sul, policiais do 10º e 11º Batalhões permaneceram em Poço Verde, que faz fronteira com Heliópolis e Fátima, também na Bahia. Cada ponto recebeu viaturas extras, equipamentos de comunicação e efetivo ampliado para garantir respostas rápidas a eventuais ocorrências.
Para dar suporte às guarnições de linha de frente, o Batalhão de Polícia de Ações Táticas do Interior (BPATI) e a Companhia Independente de Policiamento com Cães (CIPCães) reforçaram as equipes. Os cães farejadores atuaram em malas, compartimentos de carga e bagageiros de ônibus interestaduais. A presença dos animais aumenta as chances de localização de drogas e armas, já que conseguem identificar odores mesmo quando as substâncias estão escondidas em embalagens lacradas ou misturadas a outros materiais.
Durante as abordagens, motoristas foram orientados a apresentar documentos pessoais, notas fiscais e registros dos veículos. Passageiros de ônibus também passaram por verificação de identidade, enquanto os bagageiros eram vistoriados. A Polícia Militar informou que o foco principal é a prevenção, mas que qualquer material suspeito apreendido será encaminhado às delegacias competentes para investigação. Até o momento, não foram divulgados balanços sobre prisões ou apreensões decorrentes da retomada das atividades.
Além de coibir o transporte de ilícitos, a operação serve para coletar informações de inteligência. Dados reunidos em cada barreira alimentam um sistema nacional que cruza placas de veículos, mandados de prisão abertos e registros de atividades suspeitas. A partir dessa base, a PM reforça que futuras fases do programa podem ser ajustadas para atender necessidades específicas de cada região, mantendo o estado em alerta contra a atuação de grupos criminosos organizados.
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