A campanha de vacinação contra a influenza em Sergipe, iniciada no fim de março, ainda não deslanchou. Dados consolidados pelas equipes de imunização indicam que apenas 218.975 doses foram aplicadas até o momento e a cobertura está em 42,81% do público-alvo, bem abaixo dos 90% sugeridos pelo Ministério da Saúde.
O alerta é maior entre os grupos considerados mais vulneráveis. Entre as crianças de seis meses a menores de seis anos, a procura equivale a 43,57%. Já entre os idosos, que costumam enfrentar complicações mais severas causadas pelo vírus, a taxa está em 40,98%. As gestantes apresentam o melhor desempenho, mas ainda distante do ideal: 66,14% receberam a imunização.
O cenário nos grandes municípios reforça a preocupação. Aracaju, onde se concentra o maior número de habitantes, registra somente 42% de cobertura. Itabaiana aparece logo depois, com 40%, seguida por Lagarto (39%), São Cristóvão (37%) e Nossa Senhora do Socorro (35%). Em localidades menores, a realidade também é desfavorável. Santo Amaro das Brotas (26%) e Riachuelo (29%) figuram entre os piores índices, acompanhados de Cristinápolis (32%), Laranjeiras (33%) e Simão Dias (34%).
Especialistas lembram que a vacinação anual é a estratégia mais eficaz para reduzir casos graves, internações e óbitos. Crianças pequenas têm risco aumentado de desenvolver síndrome respiratória aguda grave; nos idosos, o imunizante diminui a chance de complicações que podem levar à hospitalização; e, no caso das gestantes, protege tanto a mãe quanto o recém-nascido nos primeiros meses de vida.
Profissionais de saúde que atuam nas Unidades Básicas (UBS) relatam que muitos moradores adiam a ida ao posto por subestimar a doença ou por acreditar que a gripe é leve. Essa percepção, segundo eles, contribui para a baixa procura. As vacinas continuam disponíveis de segunda a sexta-feira nos horários habituais de funcionamento das UBS, sem necessidade de agendamento prévio.
Além dos grupos prioritários já citados, a campanha contempla trabalhadores da saúde, professores, pessoas com comorbidades, pessoas com deficiência permanente, caminhoneiros, trabalhadores do transporte coletivo, forças de segurança, entre outros. Todos devem apresentar documento de identificação e, quando aplicável, comprovante de condição de risco ou atuação profissional.
Enquanto a meta não é alcançada, as entidades sanitárias reforçam recomendações de prevenção adicionais, como higienização frequente das mãos, etiqueta respiratória ao espirrar ou tossir e, em caso de sintomas gripais, evitar aglomerações e buscar avaliação médica.
A orientação geral é clara: quem ainda não tomou a dose deve procurar a UBS mais próxima o quanto antes. Com a cobertura vacinal aquém do esperado, o estado corre o risco de enfrentar um aumento no número de casos graves neste período do ano em que o vírus costuma circular com mais intensidade.
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