São Paulo – 25 nov 2025 – Após a decisão dos Estados Unidos de retirar a tarifa de 40% sobre mais de 200 itens agrícolas brasileiros, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que a próxima etapa das conversas com Washington será a redução de taxas que ainda incidem sobre bens manufaturados.
O ministro participou, nesta terça-feira (25), do Encontro Empresarial Brasil-Estados Unidos 2025, organizado pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham). No evento, ele destacou que máquinas, motores, madeira, alimentos industrializados e outros produtos de maior valor agregado permanecem sujeitos a tarifas elevadas.
Foco na competitividade industrial
“Grande parte dos itens industriais brasileiros continua no tarifaço ou com alíquotas altas, enquanto produtos norte-americanos entram no Brasil com taxas bem menores”, declarou Alckmin. Segundo o ministro, priorizar a derrubada dessas barreiras é essencial para recuperar a competitividade da indústria nacional.
Alckmin ressaltou que o governo pretende “intensificar o avanço tarifário” e retirar mais produtos industriais da lista de sobretaxas instituída pelos EUA em 2019.
Retirada parcial do tarifaço
No último dia 20, a Casa Branca anunciou a exclusão de carnes, café, açaí, cacau e outras commodities brasileiras da tarifa extra de 40%. A nova lista soma pouco mais de 200 itens e passa a valer para mercadorias desembarcadas em portos norte-americanos a partir de 13 de novembro.
O alívio tarifário foi comemorado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que conversou por telefone com o presidente Donald Trump em 6 de outubro. De acordo com o documento divulgado pelos EUA, a decisão resulta diretamente das negociações bilaterais conduzidas nas últimas semanas.
Outras frentes em debate
Além da pauta tarifária, o Brasil pretende avançar em temas considerados estratégicos para ambos os países:
- Biocombustíveis – Alckmin disse que pendências regulatórias sobre produtos norte-americanos “estão praticamente resolvidas”.
- Data centers – O programa Redata, ainda no Congresso, busca atrair investimentos para essa infraestrutura, aproveitando a oferta brasileira de energia renovável.
- Terras raras – O governo vê possibilidade de cooperação tecnológica com os EUA para exploração desses minerais.
- Economia digital – Há discussões sobre regras para big techs, proteção de dados e incentivos a novos investimentos.
Pelos cálculos do MDIC, o intercâmbio comercial Brasil-EUA superou US$ 88 bilhões em 2024, mantendo os norte-americanos como segundo principal parceiro comercial do país.
Alckmin frisou que “há questões tarifárias e não tarifárias em debate” e que o objetivo é “acelerar” os entendimentos para ampliar a integração econômica.
O avanço das negociações tarifárias com os Estados Unidos é visto pelo governo como etapa-chave para fortalecer o setor manufatureiro brasileiro e diversificar a pauta exportadora.
Com informações de G1
Estudos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostram que tarifas sobre bens industriais podem chegar a 25% em alguns casos, reduzindo a competitividade do produto brasileiro nos EUA.
Para acompanhar outras negociações internacionais e seus impactos na economia, visite nossa seção de Política.
Quer ficar por dentro de todas as mudanças no comércio exterior brasileiro? Assine nossa newsletter e receba as principais notícias diretamente no seu e-mail.
Siga o SE Por Dentro e entre no nosso grupo de notícias.








