Sebastião Veríssimo, 60 anos, viveu meses nas rodoviárias antes de buscar ajuda em Aracaju. No Centro Pop recebeu atendimento, abrigo e encaminhamento para oportunidades que aceleram seu recomeço.
Sebastião Veríssimo, de 60 anos, traz na bagagem décadas de mudanças e trabalhos informais. Natural de Salvador, ele saiu de casa ainda adolescente em busca de oportunidades e, depois de passar por Marabá (PA), desembarcou em Aracaju há cerca de quatro meses. Sem vínculos familiares na capital sergipana e sem recursos, viveu dias difíceis dormindo em rodoviárias, até encontrar a porta de entrada para novos caminhos na rede de assistência social do município.
O primeiro atendimento ocorreu no Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop). Lá, Sebastião recebeu orientações iniciais, alimentação e o encaminhamento para a Casa de Passagem Acolher, equipamento mantido pela Secretaria Municipal da Família e da Assistência Social (Semfas). O serviço garante abrigo temporário, refeições e, principalmente, acompanhamento multiprofissional para quem precisa reconstruir a própria trajetória.
“Eu fui ao Centro Pop quando cheguei em Aracaju. As pessoas me receberam muito bem, por sinal, graças a Deus. No Centro Pop, eu não tenho do que reclamar, porque fui muito bem recepcionado e até me ofereceram uma refeição muito boa enquanto estive lá”, relembra Sebastião.
Na Casa de Passagem Acolher, uma equipe formada por psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais acompanha cada usuário de forma individualizada. Com esse suporte, Sebastião voltou a ter perspectivas. Além de apoio emocional, ele recebe orientação para acessar políticas públicas e benefícios aos quais tem direito, entre eles o Benefício de Prestação Continuada (BPC), solicitado devido a questões de saúde.
“Sou muito grato à Assistência Social, porque todos me ajudaram com muito carinho. Fui muito bem recebido pela equipe da Casa de Passagem Acolher. Eu saí das ruas com muita dificuldade na minha vida e, hoje, tenho acompanhamento de psicólogos e assistentes sociais, além de uma bela estadia e refeições maravilhosas. Agradeço a todos!”, afirma.
A coordenadora da unidade, Karina Gonçalves, observa que o caso ilustra a importância do atendimento individualizado realizado pela rede.
“Seu Sebastião chegou aqui sem perspectiva e, muitas vezes, sem conhecer o serviço oferecido pela unidade de acolhimento. Ele é uma pessoa muito equilibrada e traz muitas experiências de vida. Hoje, com muita alegria, vejo a superação que ele vem alcançando com o acompanhamento da nossa equipe”, destaca.
Enquanto espera o resultado do pedido do BPC, Sebastião resgata hábitos que o fazem sentir-se em casa. Cozinheiro por paixão, ele costuma preparar pratos para colegas de abrigo e, nas horas vagas, passeia pela Orla da Atalaia, sempre com suas caixas de som. Esses momentos de lazer reforçam a autonomia que ele busca reconquistar.
A experiência de Sebastião evidencia o papel da assistência social em garantir dignidade e oportunidades a quem vive nas ruas. O Centro Pop e a Casa de Passagem Acolher oferecem mais do que abrigo: propõem escuta qualificada, encaminhamentos e acesso a políticas públicas. Para muitos, esse primeiro contato representa a chance de reescrever a própria história.
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