São Paulo — O hábito de beber está mudando no País. Pesquisa do Datafolha com 1.912 entrevistados aponta que 53% dos consumidores reduziram a ingestão de bebidas alcoólicas no último ano. Entre jovens da geração Z (18 a 26 anos), apenas 45% dizem beber, segundo levantamento da MindMiners feito com 3 mil pessoas, contra 57% dos millennials, 67% da geração X e 65% dos boomers.
Bem-estar e bolso pesam na decisão
Motivos como saúde, estabilidade emocional e finanças lideram a lista de razões para beber menos. Para 58% dos jovens que não consomem álcool, simplesmente falta interesse; 34% não gostam do sabor e 30% evitam os efeitos físicos e emocionais da bebida.
Exemplos pessoais ilustram a tendência. A influenciadora Gabrielle Ribeiro, 23 anos, abandonou o álcool, perdeu 16 kg e economiza até R$ 300 por semana. Já Rayane Moreira decidiu não beber após vivenciar conflitos familiares ligados à bebida e, em ocasiões sociais, prefere sucos, água ou mocktails.
Cerveja zero avança mais de 200%
O mercado acompanha a mudança. Entre 2020 e 2023, o consumo de cervejas sem álcool saltou de 197,8 milhões para 649,9 milhões de litros, alta superior a 200%, segundo a Euromonitor. A previsão é chegar a 1 bilhão de litros em 2025. O Brasil já ocupa a segunda posição mundial nesse segmento, de acordo com a World Brewing Alliance.
Dados da Nielsen indicam que as cervejas zero estão crescendo três vezes mais rápido que as tradicionais. A Ambev registrou aumento de 15% no volume vendido dessa categoria no segundo trimestre de 2025 e projeta avanço cinco vezes maior que o das cervejas convencionais até 2028, impulsionada por rótulos como Bud Zero, Corona Cero, Stella Pure Gold e Brahma Zero.
Destilados 0.0 e novos hábitos
No segmento de destilados, a Diageo diversifica o portfólio. Depois de adquirir a norte-americana Ritual Zero Proof em setembro de 2024, a companhia lançou no Brasil, em 2025, a Tanqueray 0.0%, que replica o perfil botânico do gin tradicional, mas sem álcool.
Outra prática em alta é o “zebra stripe”, em que consumidores alternam bebidas alcoólicas e não alcoólicas na mesma ocasião. Segundo Gustavo Castro, diretor de estratégia da Ambev, o método permite prolongar a socialização evitando excessos.
Bares investem em mocktails
Especializado em uísques, o bar Caledonia, em São Paulo, incluiu cinco coquetéis sem álcool no cardápio. O proprietário Maurício Porto conta que a procura é tamanha que, em alguns dias, o estoque se esgota; o mocktail “Oliver Twist” vendeu 50 unidades em apenas uma noite.
Para driblar a ausência do teor alcoólico, a casa aposta em técnicas como clarificação, infusão de especiarias e uso de soluções salinas para garantir complexidade sensorial.
Resultado: menos volume, mais valor
A moderação também impulsiona o consumo de bebidas premium. Uísques single malt, por exemplo, cresceram 10% nos últimos três anos, reforçando a ideia de que o consumidor atual prefere qualidade à quantidade.
Comportamentos como o de Gabrielle e Rayane exemplificam a nova relação do brasileiro com o álcool: beber menos, escolher melhor e abrir espaço para rótulos zero ou de maior valor agregado. A indústria, em vez de perder terreno, encontra oportunidades para inovar e lucrar em um mercado redesenhado pela moderação consciente.
Para saber mais sobre os impactos do álcool na saúde, a Organização Mundial da Saúde (OMS) disponibiliza dados e orientações atualizados.
Se você se interessa por transformações de consumo e mercado, confira outras reportagens na seção Destaques do nosso portal.
O cenário mostra que beber menos não significa queda de faturamento para o setor, mas sim novas formas de atender a um público cada vez mais exigente. Continue acompanhando o Se Pôr Dentro para entender as próximas tendências.
Com informações de g1.globo.com
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