A discussão sobre o futuro do transporte coletivo da capital ganha novo capítulo na próxima segunda-feira, 06/07, às 7h. O vereador Camilo Daniel (PT) e o deputado federal João Daniel (PT) receberão profissionais de imprensa e interessados na sede do Sindisan, na Rua Marechal Deodoro da Fonseca, 1012, para lançar um estudo inédito acompanhado de um pacote de medidas que pretende mudar o modelo de financiamento do sistema.
O encontro começará com um café nordestino, seguido da apresentação técnica conduzida pelos parlamentares e pelo economista da Universidade Federal de Sergipe, Emerson de Sousa Silva, mestre em Economia e doutor em Administração. O levantamento calculou que o custo real de cada passagem chega a R$ 7, enquanto o usuário desembolsa R$ 4,50. A diferença, de R$ 2,50, é coberta pelo erário municipal, o que representa desembolso anual superior a R$ 70 milhões.
“Trata-se da maior política de transferência de renda da história da cidade, mas em favor dos ricos”, afirma o vereador Camilo Daniel.
De acordo com o estudo, o subsídio pago pela Prefeitura às empresas concessionárias cresceu 87,5 % em março deste ano, quando comparado a março de 2025. Outro ponto destacado é o financiamento público de cerca de R$ 300 milhões para renovação de frota que permanece sob propriedade privada.
“O trabalhador paga pela passagem, paga com seus impostos o subsídio e ainda financia a frota. O lucro fica com o privado, o prejuízo com o povo”, declarou Camilo.
João Daniel ressalta a importância social da proposta.
“A Grande Aracaju tem uma massa de trabalhadores de salários baixos que depende do transporte coletivo. Vamos mobilizar servidores, comerciários, ambulantes, feirantes e demais categorias para viabilizar a tarifa zero”, defende o deputado.
O pacote de medidas sugerido traz cinco pilares. O primeiro é a criação de uma Empresa Pública de Transporte para gerir o serviço na região metropolitana. O segundo prevê um Fundo Metropolitano de Mobilidade, abastecido por recursos de taxas de estacionamento, multas de trânsito e publicidade em terminais. A terceira ação transfere a gestão do vale-transporte das empresas privadas para o poder público, enquanto a quarta institui um Conselho de Mobilidade com participação popular para fiscalizar receitas e despesas do setor. Por fim, a quinta iniciativa estabelece o Passe Livre, transformando a tarifa zero em política permanente.
Os autores adiantam que, no lançamento, serão distribuídos o relatório completo e uma cartilha educativa que detalham cenários, impactos financeiros e etapas de implantação. A expectativa é de que o material sirva de base para debates em sindicatos, associações de bairro e universidades ao longo das próximas semanas.
Interessados em compreender profundamente os números e as propostas poderão tirar dúvidas presencialmente durante a coletiva ou posteriormente, em reuniões que já estão sendo agendadas com entidades representativas. Segundo os organizadores, a participação popular será condição essencial para que a iniciativa avance no debate público e ganhe força no Legislativo municipal.
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