O Censo Demográfico 2022, divulgado nesta sexta-feira (24) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), identificou 295 línguas indígenas em uso no país — aumento de 7% em relação às 274 registradas em 2010.
Ao todo, 433.980 pessoas afirmaram falar uma ou mais línguas indígenas, crescimento de 47% na comparação com o levantamento anterior. Segundo o IBGE, a ampliação resulta de mudanças na metodologia de coleta e do avanço do sentimento de pertencimento étnico entre os povos originários.
Ranking das 10 línguas mais faladas
1. Tikúna — 51.978 falantes; 88% vivem em Terras Indígenas (TIs) no Amazonas.
2. Guarani Kaiowá — 38.658 falantes; 82% em TIs no Paraná e sul do Mato Grosso do Sul.
3. Guajajara — 29.212 falantes; 90% em TIs no Maranhão.
4. Kaingang — 27.482 falantes; 79% em TIs e 21% fora delas.
5. Xavante — 21.772 falantes; 85% em TIs.
6. Yanomami — 19.174 falantes; cerca de 96% em TIs.
7. Sateré-Mawé — 15.421 falantes; 20% fora de TIs.
8. Nheengatu — 13.070 falantes; 60% residem fora de TIs e é a língua indígena mais falada no Ceará.
9. Munduruku — 12.961 falantes; língua indígena mais presente no Pará.
10. Tukano — 12.435 falantes; 60% moram em TIs, 36% em áreas urbanas e 3% em zonas rurais.
Expansão de povos e influência migratória
O IBGE identificou 391 povos indígenas, número 30% superior ao registrado em 2010. Além da revisão da metodologia, o instituto aponta a chegada de grupos com trajetória migratória, como o povo Warao, oriundo da Venezuela. Em 2022, o país contabilizou 4.389 falantes da língua Warao, predominante em estados como Rio Grande do Norte, Piauí e no Distrito Federal.
A autodesignação indígena também cresceu. A gerente de Povos e Comunidades Tradicionais e Grupos Populacionais Específicos do IBGE, Marta Antunes, ressalta que a mediana de idade dos falantes de línguas indígenas é de 21 anos — quatro anos abaixo da mediana da população indígena em geral — fator que contribui para a preservação e transmissão dos idiomas.
A maior presença de jovens entre os falantes indica vitalidade das línguas e reforça a importância de políticas públicas voltadas à educação bilíngue e ao reconhecimento cultural.
A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) disponibiliza informações detalhadas sobre ações de proteção e promoção das línguas originárias.
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Os dados do Censo 2022 evidenciam a diversidade linguística do país e mostram que a vitalidade das línguas indígenas depende de políticas contínuas de valorização cultural. Continue acompanhando nossas publicações para se manter informado sobre a riqueza dos povos originários.
Com informações de g1
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